quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

retrospectiva 2009.

Sento no sofa da sala do trailer sozinha e ligo com o dedo indicador o botao de “power” da TV que nao tem controle remoto. Passo de canal em canal procurando algo para ver nesse fim de domingo a noite chuvoso e frio, nada me interessava... Hannah Montana no Disney Channel, um filme esquisito no Hallmark Channel, Adult Swim no Cartoon Network, noticias no CNN, chuvisco no canal 67 e... De repente meus olhos captam uma imagem em preto e branco, nostalgica e antiga, algo que eu ja tinha visto... O menino Bruno aparece na minha frente com a mao no rosto sentado no topo de uma escadaria, meu unico feedback foi sorrir de lado no meio do escuro solitario que me encontrava como nas vezes quando nos sentimos bem e satisfeitos so de olhar algo que queremos o bem. Ladroes de Bicicleta! Aqui! Em Garberville, Calfornia, fim do mundo! No TCM?? Eu tenho TCM! \o/
Com todo esse tempo sem os meus dvd`s e so tendo visto um filme do Scooby-Doo que eu nunca tinha visto e Homem Aranha 3 (=<), Ladroes de Bicicleta foi como um coro de aleluia nessa minha abstinencia de classicos, fiquei tao feliz que resolvi escrever. Ja explico estranha associacao.
Pensei escrever no diario, mas to tres dias atrasada e isso acaba com o animo de qualquer um, entao resolvi escrever no blog! Bem, nao exatamente agora as... Perai que eu vou ver as horas no microondas (e porque a gente nao tem relogio aqui em casa, ja viram isso? Uma casa sem relogio?? O.o’’) Enfim... 24:11!! Ainda bem que amanha eu estou de folga e posso dormir ate mais tarde. Enfim novamente, estou escrevendo a mao e como a retrospectiva e muito grande amanha eu termino quem sabe perto do rio tomando um cafe bem quentinho do hotel (que e de graca, vou ter overdose, voces nao tem ideia o quanto e bom esse cafe) ou quem sabe perto das sequoias quando eu for dar uma voltinha.

Retrospectiva 2009!
Media do ano: 9.4
Verbo do ano: Viver
Musica do ano: Let Go da Frou Frou
Livro do ano: A Lua na Sarjeta de David Goodis
Filme do ano: Ladroes de Bicicleta de Vittorio De Sica

E daqui voltamos ao principio metodico que tanto enrolei, Ladroes de Bicicleta abriu o meu apetite para escrever do ano da faculdade, dos novos amigos feitos la, da minha depressao no comeco do ano e consequente entrada no psicologo (pausa.... la to eu de novo chorando no desfeco do filme [...]), do ano do blog, do MST, de Buenos Aires, do andar a ermo, dos filmes a um real, do ano das mudancas, das alegrias, das confusoes, do equilibrio adolescente, do crescimento pessoal, do equilibrio emocional e das loucuras envolvendo temporais e pecas de teatro ou tambem um trailer, seis pessoas e um natal nao muito comum.
Se perguntarem sobre 2009 direi que foi um ano excelente, embora eu tenha dado a media de 9.4, num ano com 365 dias tem sempre aqueles que voce preferiria nao te-los vivido e outros que da gracas a Deus por ter vivenciado momentos e pessoas que fizeram de fato o seu ano um dos melhores que ja viveu.
Entao vamos la! A Globo tem retrospectiva, minutos antes de morrer tem retrospectiva e dois dias antes da virada do ano tambem. Ok! Com K nos outros tres.
2009 foi o ano de correr pelas ruas da praia de botafogo com a amiga apos um dia triste na faculdade, o ano do encantamento a primeira vista pelo Sal Paradise, o ano de chorar no psicologo, o ano de me sentir culpada por estar numa faculdade paga, o ano da “lolo” com acento agudo no ultimo “o”, o ano dos ''xuxus'', o ano de dancar sozinha no quarto com a janela aberta esquencendo que so estava de sutia, o ano do mesmo grupo de amigos em noitadas nas casas dos proprios, o ano do cachorro quente de 99 centavos, o ano do reconhecimento e realizacao de um sonho exibido numa tela de cinema, o ano do karaoke em plena terca-feira, o ano que fiz compras e lavei roupa sozinha com a minha propria grana suada, o ano da minha propria casa... Minha propria casa.
O ano de morar sozinha, o ano de me levarem ate a ‘’porta da minha casa’’, o ano do real, o ano pe no chao, o ano de conversas filosoficas no metro, o ano do CR 8.7, o ano da Cinelandia, o ano dos 19 anos, o ano das contas de telefone exorbitantes, o ano de conhecer pessoas maravilhosas pela internet, o ano do biscoito, o ano da alameda Pasteur, o ano da ligacao da minha prima de oito anos, o ano que recebi um cartao de uma agencia de modelos junto com uma amiga no meio da Ouvidor, o ano do sal, tequila e limao, o ano que fiquei feliz so de ter visto o meu trabalho, meu trabalho realizado, que por sinal aconteceu duas vezes.
Vou me lembrar para sempre de 2009... Eu voei, na verdade eu sempre voo, mas sempre quando eu caia era para machucar, caia como um passaro do ceu com a asa quebrada, perdida no mundo real e assustador sem ter como voltar para o meu refugio imenso que fazia questao de me isolar. 2009 me mostrou que ambos os planos sao bons, ‘’take this broken wings and learn to fly’’ e com 2009 eu fiz isso, aprendi que o ‘’mundinho maravilhoso de Lais’’ ja nao funcionava muito bem, e que o mundo real e maduro tambem era uma boa opcao, nao inferior, mas diferente... Acho que isso foi a grande licao de 2009. O fato de eu comecar a sair do casulo e nao temer o que tem la fora... Pois o presente e um presente, nao e mesmo?
2009 foi o ano do meu avo, o ano das maozinhas, o ano do professor bonitao, o ano do Sigur Ros, o ano das minhas unhas da mao, o ano da saudade, o ano das conversas de 9 horas sobre um mesmo assunto, o ano de mentir que estava tudo bem quando nao estava, o ano que virei as pecas do meu quebra-cabecas para cima, o ano dos barzinhos, o ano das festas surpresas com tema de cinema, o ano do trote que me fez chorar no chuveiro assim que cheguei em casa, o ano da ‘’minha pessoa’’, o ano da insonia, o ano da ressaca, o ano do episodio do onibus, o ano do jogo da verdade, o ano da loja Luzes da Cidade, o ano das pedras de Blair, o ano do natal sem a familia com strogonoff num trailer no meio do nada, o ano do meu aniversario que eu achei que ninguem viria, o ano dos meus verdadeiros amigos, o ano da escada de incendio do meu predio...
De tudo um pouco aconteceu nesse ano louco, feliz, faminto, carente, engracado, triste, viajado, esquisito, completo... Quisera eu repetir em 2010 cada choro e cada riso que eu dei em 2009, nao, repetir nao... Agora que vivi tais experiencias boas ou ruins, so desejo para 2010 o NOVO. Porque eu vivi esse ano, eu aprendi esse ano e principalmente tive lembrancas que me acompanharao por toda a vida. Que 2010 seja tao bom e ruim quanto esse ano que passou, que ele seja tao cheio de risos, cinemas, historias, familia e amigos quanto foi esse, pois a vida e isso mesmo nao e? Um caderno em branco, embora escrito assim pareca meio brega, de paginas e mais paginas para escrevermos sempre certo, embora as vezes as linhas parecam tortas.
Minha enciclopedia de 19 volumes ate agora so me fizeram perceber o quanto eu cresci, amadureci e o mais importante, aprendi todos esses anos em pequenas grandes coisas vistas com outros olhos. O volume 19 foi muito bom, irei ainda rele-lo muitas e muitas vezes para rir de novo, para chorar de novo, para tirar licoes, para relembrar de uma das fases mais importantes da minha vida (ate agora, pelo menos).
Acho que ate depois da revisao extenuante desta prova de como tudo aconteceu, a nota 9.4 subiu para 10.0. Sim, de fato esse ano foi nota 10 e antes de cavucar minha cabeca a procura de todos esses pequenos minutos, nao teria me dado conta que sem eles, todos juntos, nao seriam 2009 motivos para dizer, obrigada, a seja la quem for que os colocou no meu caminho me fazendo perceber que hoje, no dia 31 de dezembro de 2009, olho para tras e digo: ‘’...’’.

Na verdade, nada, pois nao teria palavras. Acho que so conseguiria olhar e dar um sorriso de lado... Como nas vezes quando nos sentimos bem e satisfeitos so de olhar algo que queremos o bem. E muito bem.
Obrigada.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

''in my life''.

Ainda nao sei o que eu vou por no titulo dessa postagem. Primeiramente sentei na cama, pus o note nos joelhos, digitei ''Beatles'' no procurar no meu widows media player e dai apareceram todos os albuns que tenho comecando por Abbey Road com a musica Because e agora apos mais uma frequente dorzinha no coracao comeco este post que venho pensando em fazer desde que cheguei aqui... Na California.
Pois e... Ca estou aqui sem acento, cedilha e ninguem que eu em dezenove anos me acostumei a ter ao meu lado. Apenas eu, Lice (uma amiga minha que veio comigo para ca), um note com mais 18 gigas de musica (como eu ia sobreviver aqui sem musica??), tres casacos imensos e um sorriso disfarcando um medo do caramba. Todo um mundo novo escancarando o meu mundinho calmo e que eu gostava ja esta acontecendo e que eu venho me habituando a cada dia, no meu tempo demorado a novas mudancas que nunca digeri muito bem. Desculpem os errinhos, mas e que o teclado e americano e nao me permite colocar acento nos ''e's'', nem nas crases, entao relevem por favor...
Caramba... Tudo e tao diferente: o clima, a lingua, o comportamento, as pessoas... Nao e ruim, apenas diferente... Droga, ''Golden Slumbers'' comeca a tocar e meus olhos se enchem d'aqua embora eu nao esteja triste, nao! Aqui e otimo! As pessoas sao umas gracinhas e simpaticas (elas sao sempre de ''hi nice to meet you'' ''hi nice to meet you, how are you?'' ''I'm fine! And you?'' ''I'm fine, thanks!'' ''No! Thank you!'' nossa! Sempre muito sorridentes... Acho que ate podem ser falsos, so porque eu sou nova aqui... hahahahhaha brincadeira), as paisagens as mais lindas que ja vi, tem o frio que amo e ainda estou aprendendo a me virar sozinha (bem, nao tao sozinha, pois a Alice esta aqui comigo) em coisas que antes nao me dava conta do quanto eu precisava de pessoas do meu lado.
Nao me achava tao carente ate vir para ca, que raios de ''saudade'' que so existe no vocabulario brasileiro... Que saco... Eu me divirto sempre aqui, o pessoal sempre me faz rir, conversar, mas ainda nao consigo me disvencilhiar do meu coracao que doi como numa dor que nao para, mas que logo logo voce se acostuma sabe como e que e? Doi sempre, mas machuca de vez enquando.
Mas vamos falar de coisas boas! Essa cidadezinha de uma rua so (detalhe: e so uma rua mesmo, uma para ir e uma para voltar, as pessoas dizem isso generalizando uma cidade pequenininha, mas eu to falando serio.... No final da rua a cidade acaba O.0'') e muito aconchegante, tem uma natureza que eu nao estava habituada de ver, e ainda por cima faz 3 graus de noite! Yes!
Ahhh meu Deus! To falando e falando e muita gente nao sabe o que eu estou fazendo aqui... O.0'' Desculpa. Bem para encurtar, estou fazendo um tipo de intercambio que se chama Work Program e basicamente voce vai para uma cidadezinha pequena em algum lugar dos Estados Unidos e fica la trabalhando em hotels (que e o meu caso), estacoes de ski, lojas enquanto aperfeicoa seu ingles, conhece uma nova cultura e pessoas e ganha em dolar para para poder passar um quarto mes que temos direito em qualquer lugar dos Estados Unidos. Legal ne?
Era de minha intencao fazer um post com a minha odisseia que foi chegar aqui, mas a preguica e a falta de tempo (acreditem, to trabalhando pra burro e fico sempre cansada depois dormindo tipo nove da noite...) nao me permitiram terminar o que eu estava escrevendo nos dois dias de viagem que foi... Mas o que eu ja escrevi num tipo de diario que estou fazendo ja da para comecar e algum dia eu ainda termino. Posso dar uma palhinha de o como estava a minha mente e coracao, disso eu vou me lembrar para sempre, detalhes eu agora nao me lembro, mas sentimentos sim.
Por onde eu comeco.... Decidi fazer esse intercambio uma semana antes de eu ir para Buenos Aires, porque eu sempre quis fazer uma coisa dessas, sempre quis morar fora, minha vida sentimental estava uma merda, e voce quer saber, quis ir sim! Apesar de eu nao gostar muito de mudancas essa poderia ser uma interessante. Ok. Passou todos os meses e eu levei essa ideia na moral, sempre muito animada e curtindo a boa nova, mas dezembro estava chegando e os meses iam passando mudando a conjuntura da minha vida me pregando uma ironica peca... Cada vez minha viagem espiritual de auto conhecimento e reflexao estava se tornando uma questao a se resolver.... Ok. Minha ultima semana no Rio eu nao tinha tempo nem pra mim, todo dia eu tinha que fazer algo e sempre muito feliz de ter pessoas ao meu lado que fizessem questao da minha presenca antes de eu ir. Felizmente deu tudo certo e deu para resolver tudo que eu queria, menos as fotos reveladas que deixei para a ultima hora e nao trouxe.... Ai! =(((
Dia 15! Me vejo correndo no aeroporto cm papeis interminaveis, buracracias, minha familia ali do lado, Alice sorrindo e uma estrannha sensacao no meio daquele momento meio frenetico. Chorei... A ultima imagem do Rio foi ver a minha mae e minha familia acenando para mim, meus olhos se encheram d'agua e tudo o que eu consegui fazer na fila do embarque internacional foi: rir. Pois e.... Ri de nervoso, pois la estava eu indo. Indo. Mas antes de chegar, tive a feliz surpresa de receber nos 45 do segundo tempo uma ligacao no celular de amigos muito quet=rido e la estava eu de novo como manteiga derretida, chorando de novo.
Peguei o aviao para Miami junt com a Alice, a viagem foi otima, adoro aviao, dormi bastante e ainda jantei la. Pulando.... Chegamos no aeroporto de Miami, mas nos enrolamos um pouco no re-check in que eu vou te dizer que e dificil pra caramba para Sao Francisco, mas felizmente uma moca nos ajudou. ufa.... Outro aviao, rimos muito, tiramos varias fotos, dormi mais um pouco e apos uma viagem de oito horas no primeiro e cinco na segunda ca estavamos em Sao Francisco! ''If you going to San Franciscoooo". Amei a cidade, e linda! Quero morar aqui!
Ok, mais umas sete horas de viagem ate a cidadezinha que vamos ficar. Van, onibus, trem e mais um onibus. Nossa senhora, a gente nao aguentava mais, a brincadeira tava perdendo a graca...
hahahhahahah
No ultimo onibus conhecemos Dunkin, um garoto de 21 nos que mora em Seattle e que ficou conversando com a gente em ingles ate altas horas da noite no onibus que demorava umas seis horas para chegar ao destino final. Conversamos muito bem, gastei o meu ingles de nove anos no IBEU! Yes! O bom e que deu para despistar um outro cara mais velho que estava na nossa frente que era muito estranho (nos ofereceu Red Bulls e revista People) e que deu um sorriso nao muito legal quando falamos que eramos brasileiras.... aii... Que medo. Terminou tudo bem, a nossa empregadora nos pegou no ponto de onibus a noite, e quando chegamos ao hotel tratamos de logo dormir, pois estavamos estouradas.
Hum....
Sao agora 14:54 enquanto devem ser quase 9 ai no Rio.... A dorzinha continua.... Beatles continua a embalar a minha escrita.... Ah! Sabiam que aqui tambem e um spa? Acho que eu estou pesando 48 quilos, pois nunca estive tao magra.... Me olhei hoje no espelho enquanto me preparava para almocar e vi que mais um pouco eu sumo! Mae, pai, eu to comendo direitinho, aqui eles dao almoco e janta e eu sempre como um prato de pedreiro, nao sei o que ta havendo... O.0'' hahahhahaha
Bem, acho que e isso. Escrevi pra caramba... Nossa. Desculpem a ausencia, no comeco era falta do que escrever, depois falta de tempo, tentarei mante-los informados das minhas aventuras por aqui. Por hoje so pessoal, ''that's all folks'' hahhahahaha Desculpem mais uma vez os errinhos de portugues. Fiquem tranquilos que estou me cuidadando bem, e que daqui a puquinho a dorzinha que esta latejando agora passa, quer dizer, passa nao, eu me acostumo com ela.
Um beijo e obrigada pela forca de todos! Saudades.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"aquilo que chamamos de rosa teria o mesmo perfume embora lhe déssemos outro nome".

Quem não conhece o clássico da literatura mundial "Romeu e Julieta"? O grande clichê das histórias de amor, o final trágico arrebatador, o casal mais característico presente em menções de filmes, peças e personagens que revivem sua grande história de tragédia e paixão avassaladora como só Shakespeare escreveria? Você pode não ter lido o livro, você pode até não gostar, você pode só ter lido um resumo, mas com certeza os conhece, são velhos conhecidos seus de quando você uma hora lembra que o amor pode ser brega, bufante, barroco e principalmente, lindo.
Eu era pequena quando conheci essa história, me lembro da minha mãe me levando ao CCBB para ver as peças infantis que tanto gostava, da histórias para dormir adocicadas pela mesma para que eu não tivesse pesadelos com o desfecho classificação 18 anos adaptados para uma garotinha de 8, me lembro dos livrinhos de criança que esmiuçavam o clássico tornando-o acessível à uma menina de 10, me lembro de perceber menções em filmes e falar: "ah, Romeu e Julieta. claro...", me lembro de ler uma resenha só de curiosidade, da vez que assisti "Shakespeare Apaixonado" em 2000, apesar de ele ter sido lançado em 98, e ter me apaixonado pelo filme de cara, além do próprio Shakespeare na pele de Joseph Finnes que está um espetáculo, da vez que baixei o livro na internet em 2006 para pegar algumas frases do ato 2 cena 2 (amo) para incrementar no meu livro que escrevo desde 2005 (é... tempão), da vez em 2007 que finalmente peguei o livro na íntegra emprestado com um amigo na escola para ler, da vez que passeando num sebo com uma amiga em 2008 encontrei uma edição por apenas 1 real (é verdade...) e tive a boa surpresa de receber de presente por ela e por fim, da vez que um dia em 2009 rodando em círculos em meu quarto encucada por certos assuntos me vi pegando o tal livro de um real e o lendo todo em apenas um final de tarde e noite. Por acaso esse acesso de loucura repentino foi no final de semana passado.
Tudo bem, "Romeu e Julieta" pode ser o romance, no sentido de livro, de Shakespeare mais clichê que existe, além de ser algo como "O pequeno príncipe" para as misses de alguém que gosta de clássicos, mas confesso que se não é o meu preferido, é um dos que mais gosto e nem é pelo fato de ser um romance meio xarope com um final triste do jeitinho que eu gosto (^-^), mas é que sei lá... Os diálogos rebuscados difíceis até de serem entendidos de primeira me atraem, mas ainda não é isso; o Romeu?? Olha, para ser bem sincera, nem gosto muito dele não... Não é o meu príncipe encantado montado num cavalo branco, o acho muito volúvel a sentimentos e um pouco exagerado para falar a verdade. Gosto do Mercúcio e da Julieta, ela é legal, visionária e nem tinha 14 anos ainda!! É... Esse povo de antigamente, vou te falar... ^^ Mas ainda não é isso... A história me encanta de certa maneira, tenho uma amiga que assiste todo novembro o filme "Titanic" e pensando bem, já vai fazer aniversário as vezes que li o livro nos últimos anos e me pergunto o porquê.
Gosto do amor à primeira vista, gosto desse amor irremediável e doentio, gosto do amor impossível até de imaginar, gosto da esperança de ter algo além nesse mundo capaz de matar e fazer morrer para ser realizado ou simplesmente se findar antes que possa ser separado, gosto do trato que a história tem de me passar em meio a tragédia um final feliz embora eles morram no final, gosto desse fim dúbio que não diz se eles foram "felizes para sempre", gosto do ato 2 cena 2 a parte que até hoje choro inclusive quando declamada no filme "Shakespeare Apaixonado" enquanto eles treinam no teatro e na cama, gosto desse clichê e de como ele muda a minha visão sobre coisas estranhas que acontecem dentro de você e não sabe o porquê.
Decidi fazer este post não para convencer alguns de lerem a obra, embora mal não possa fazer independendo da opinião de cada um, mas sim sei lá... Falar sobre "amor". De um jeito meio camuflado, exagerado, não literal e nada a ver com o que eu estou pensando, mas mesmo assim quente e profundo como a noite. "E por ser noite, tenho medo de que, tudo seja um sonho, demasiada e deliciosamente adulador para ser real".

sábado, 14 de novembro de 2009

vinte escovadas antes de dormir.

Esta é uma história real, aconteceu com uma amiga de uma amiga minha das quais não conheço nenhuma ainda. Dizem que é mentira, pois nunca foi contada antes, mas verdadeira se for parar para pensar nos fatos de mentirinha mais sinceros que já houve.
Dois olhos não piscavam na escuridão de um cinema vazio a não ser por três moças, duas moscas e um lanterninha que bocejava na sessão de número 31 do filme “Jules e Jim” de François Truffaut. A menina de olhos tão pretos quanto o breu que a envolvia assistia maravilhada a cena final do clássico que tanto adorava não deixando de fazer suas associações malucas, pois em sua mente surgiu Amélie Poulain vendo o mesmo filme que ela via e que por sinal era interpretada pela atriz Audrey Tautou, que por acaso era xará de Audrey Hepburn que estrelou ao lado de Humphrey Bogard em Sabrina e que apesar da história não bater, tinha um triângulo amoroso assim como Jules e Jim! A menina dá um pequeno sorriso de satisfação ao ver a cena do carro caindo enquanto pensava sem querer quantos anos tinha aquele lanterninha na escuridão. Será que ele tinha um amigo que topasse ser Jim? Ela não se importaria de ser Catherine...
Depois do filme, Dora passa ao lado do lanterninha moreno que devia ter uns vinte e seis anos fazendo o máximo para que ele notasse a sua presença. Ela levanta seus cabelos longos e ondulados para cima e sorri encantadoramente para os olhos verdes cansados do rapaz e sua mão máscula com aquele anel de compromisso no dedo anular! Ai... Ela repete para si mesma enquanto se enrolava no cachecol frustrada consigo mesma por mais uma vez confundir fantasia com realidade, era ÓBVIO que coisas assim não aconteciam: coincidentemente havia uma linda garota distraída e um garoto mais lindo ainda dando sopa que acidentalmente se encontravam e ali descobriam que eram feitos um para o outro com apenas um olhar.
A vida no cinema é bem mais fácil, era o que pensava ao passar perto de um café de esquina com seus casais tomando cappuccino e conversando romanticamente. Era muito fácil ir viajar de volta para Paris depois de passar um tempo com a sua avó em Budapeste e no caminho encontrar um americano maravilhoso e passar com ele um dia inteiro em Viena descobrindo que aquela pessoa era a sua pessoa. Agora só faltava ter uma avó na Hungria, morar na França e o americano... Um detalhe que podia se resolver depois. Tão mais fácil saber que o gênero do seu filme era romance... Se a história era sua logo você era a protagonista, logo se concluí que você teria um par romântico de preferência lindo, gostoso e amor da sua vida. O cara do filme de terror ao saber que seu gênero era o terror já saberia que iria morrer no final e aí poderia acabar logo com isso do que ficar um perseguindo o outro e encurtar as coisas morrendo de uma vez nos primeiros minutos de filme. O suspense saberia o culpado de cara e o filme se tornaria um curta, ou pior, um trailer... Não, Dora faz careta para si mesma enquanto atravessava a rua distraída, não daria certo, partindo deste princípio não teríamos filmes... O que vale é ficar lá sentado em duas horas tentando descobrir o que vai acontecer com o Hannibal no final, se o Billy vai conseguir passar no teste de balé ou se a Jodie Foster vai ficar bem na trama de Táxi Driver.
É... Mas se você acabar descobrindo que seu gênero é o drama?? Ai meu Deus... Dora morde o lábio inferior com um pouco de medo. Nunca tinha parado para pensar nisso... Num drama a personagem principal morre ou fica sem ninguém no final. NÃO! Dane-se a morte, e se ela ficasse sozinha para sempre? Não queria ser Coco Chanel, ou a Viola (se bem que o Shakespeare não tinha morrido, mas os dois não ficaram juntos e é o que importa), ou quem sabe o Landon!! Não... Seu gênero era o drama!! Mas peraí. Dora quase dá um encontrão com um casal de velhinhos que passava por ali abrindo os olhos e levantando as pálpebras se lembrado de um pequenino detalhezinho. Ela não tinha ninguém para morrer e ela ficar sozinha. Ah, é... Detalhezinho.
Mas se não era drama, qual era o seu gênero? Sua vida era tão desinteressante que não ganhava nem o status de comédia pastelão? De preferência as do Buster Keaton ou Charles Chaplin ela pensa voltando correndo umas duas quadras que tinha passado de sua casa. Era tão fácil... Tão fácil chegar no hall de entrada de seu apartamento e encontrar um loiro bonito chamado por você de Paulbaby e no final se apaixonar por ele, mas lá não tinha ninguém, no máximo Dóris: a faxineira alemã que tinha uma verruga maior que o país de Luxemburgo no queixo.
Dora chega em casa e nem liga as luzes da sala, vai direto para a cozinha abrindo a geladeira no escuro e pegando em seguida um pedaço de queijo que já estava fazendo aniversário. Ela senta no chão retirando as botas se lembrando de Bridget Jones... Estava no fundo do poço, não tinha um Harry para sua Sally interior, um Christian para sua Satine ou um Jigsaw para a tortura que seu coração estava sofrendo a sangue frio.
Era bem injusto ter tanta coisa para dar e ninguém para receber, Dora reflete sozinha sentada no azulejo limpando com a língua a frente dos dentes. Garbo a entenderia, mais ainda, Norma Desmond na cena final da escada. Droga... Ela estava louca ali, Dora pára de comer o queijo mofado se preocupando agora com a sua saúde mental.
Ela desiste de se martirizar mais e vai de uma vez dormir, não iria mais pensar naquilo, chão Dora, era o que mais rolava na sua mente como um mantra de realidade crua e cruel para falar a verdade, mas tinha que ser assim: radical. Amanhã nada de filmes. Nada mesmo. Niente. No. Het. Nein... Nein? Alemão... Está passando o festival de expressionismo alemão no Cinemathèque... Hum. Será que vampiros existem??
Dois olhos não piscavam na escuridão de um quarto vazio a não ser por três luzes acesas no lado de fora da janela, duas cobertas de lã que cobriam uma menina que agora não conseguia mais dormir...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

detalhe: não tem marcador mesmo... que legal.

Nossa, quanto tempo. Para falar a verdade, eu fiquei hoje pensando o dia todo no que escrever aqui para quebrar o jejum, pensei em escrever uma crônica sobre um relacionamento, ou quem sabe uma mensagem nostálgica referente à Marilyn Monroe a qual eu fiquei morrendo de saudades só de ouvir "I'm Through with love" voltando para casa, ou talvez um post sobre sentir falta de algumas coisas banais que só prestamos atenção quando as perdemos... Não... Para falar a verdade não estou afim de escrever nada disso, para ser sincera não estou afim de escrever sobre tema nenhum, nada padronizado, nada que eu possa colocar como marcador para depois achar pelo tema... Um texto sem tema.
Bem, nunca tinha feito isso antes. Caramba... É mais difícil do que eu imaginava, é como desenhar sem as mãos, escrever sem papel, dançar sem os pés... Acho que o mais perto que eu tenha feito talvez sejam aquelas redações de temas livres que as tias mandavam a gente fazer só para fazer a gente calar a boca. Vai ver que essa de texto sem tema nem exista para os mais céticos, afinal, um texto sem tema já tem um tema: sem tema. Oras bolas pipocas, é óbvio. ¬¬'' Já era a minha intenção.
Tudo bem, não importa, sei que há maneiras de escrever sem papel... Os indianos (na verdade, as indianas) contam histórias através de danças pelas mãos que por sua vez também não precisam dos pés! Aleijadinho esculpia sem as mãos! As borboletas dançam mesmo não tendo nem pés nem mãos! Panapaná... Só uma curiosidade. ^^
Num texto sem tema pode vir de tudo e vir de nada, posso falar sobre como o meu 'm', 'u', 'n', 'w' e 'r' parecem a mesma coisa quando escrevo ou dizer o quanto estou preocupada essa questão de mudança climática e dos países desenvolvidos empurrarem com a barriga fatos alarmantes e chocantes como ursos polares que não tem mais como voltar para suas casas, pois agora elas viraram água... Posso falar o quanto eu fiquei emocionada com a fotografia final do filme "Coco antes de Chanel" ou sobre a morte do cineastra brasileiro Anselmo Duarte. Coisas inúteis ou não, coisas nada a ver, coisas que eu não to afim de escrever e você de ler, coisas que rimam sem querer, mas que agora introduzirei mais um versinho só para compor uma estrofe que nada tem a ver com uma palavra que termine em "or", tipo... Tambor.
Vocês devem estar achando um saco, né? Ou estão morrendo de medo de mim tipo: "que louca... o.0'' Vamos dizer que eu esteja passando por um devaneio de verão apesar de ainda ser primavera. Esse calor mexe com qualquer um especialmente em mim amante de um bom ventilador ligado no inverno. Detalhe: acabei de escrever uma frase e a apaguei logo em seguida, pois achei idiota demais, além do quê, escrevi "aumentando" com "l".
ps: socorro.
Vamos falar de... Sei lá, alguma personalidade... Hum, Fábulas de Esopo. Tá, eu sei que Fábulas de Esopo não é uma pessoa, mas por isso que é legal, é tipo a mitologia grega que ninguém sabe realmente quem a escreveu. A outra pessoa poderia ser... Jung! Gosto de Jung. Psicanálise é uma coisa que me chama atenção e que algum dia eu ainda ainda vou fazer... Psicologia no caso ;)
Vocês estão percebendo que eu estou reproduzindo na íntegra o que eu estou pensando agora, né? Um bando de fragmentos de pensamentos sobre tudo que no fim não levam a nada, apenas me fazem buscar em memórias o porque será eu as teria pensado e o link que usei para concatenar as ideias e a partir de daí rolar e rolar pelo tudo e pelo nada simplesmente... É bom, sabia? Tentem fazer isso um dia, escrever na íntegra exatamente o que você está pensando no momento sem fazer esforço ou se enganar para pensar em algo mais elaborado, é só deixar você ir e ver no que dá... E olha, dá cada coisa, você chega a conclusão que você não tem conclusão alguma ou quem sabe se assusta com você mesmo por deixar para lá fragmentos tão inocentes e frágeis e que na verdade valem mais que um pensamento único sobre algo já pré-definido. Caramba... Que post mais auto ajuda barata metida à psicóloga de quinta... Por favor queridos e caros leitores de primeira viajem (e talvez única) não sou (tão) assim... ^^ Consigo ser séria, acertar no português antes que meu professor me crucifique e ainda ter ideias e opiniões sobre coisas que importam, mas sabe... Tá calor... E viajei legal na batatinha junto com a Lucy aqui.
Enfim... Este texto tem de fato um tema, começou com uma tentativa, depois uma frustração, logo após opções e depois, demais para mim...
É... Bem, então eu acho que é um tchau. ^^

ps: Por favor voltem a ler este blog depois dessa.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

sobre o presente.

Por que 8 ou 80? Por que não 5 ou 50, 2 ou 20 ou quem sabe 10 ou 100? Desculpem os errinhos de concordância e regência, mas é porque eu estou escrevendo num bloquinho indo para o Recreio enquanto o tédio e pensamentos percorrem em mim através da janela fosca. Estou para tirar a minha licença poética aí vocês me entendem melhor ;)
Fiz uns seis meses de terapia só para finalmente me tocar de que o meu problema é ser muito 8 ou 80! Não daquele tipo que leva tudo a ferro e fogo, mas do tipo que se estou feliz sou capaz de dar um beijo na boca de um total desconhecido ou se estou triste, sou capaz de me próprio enterrar... É... Ô pragazinha.
A questão é da intensidade, é a de ser um ser muito bêbado: fico bêbada de felicidade, de sono, de álcool, de choros, de risos, de música, de tristeza, de amor... Sou fraca se encho a cara de algum sentimento ou situação que me torna uma completa irresponsável e descontrolada. Nunca dei atenção em levar as coisas na calma, na tranquilidade, no Skank ("vou deixar") -> sabem? A música?
Sempre tive uma necessidade quase que empírica de "para quê andar se você pode sair por aí saltando?" ou "para que uma lágrima se você pode cair de joelhos e falar DEUS! O QUE É QUE ELE TEM E EU NÃO?" hahhahahaha piadinha interna. ^^ Eu sei... Drama, drama, drama.
Mas calma caro e querido leitor... Esse meu lado bipolar não é fulltime, ele aflora quando é despertado por um tipo de código secreto que no meu "bêbometro" vai lá em cima gritando: pí, pí, pí, perigo, perigo!!
Enfim. ^^ Do que eu estava falando mesmo? (viu? me empolguei) Ah, sim! Sobre o presente. "Vivi" e "viverei" são dois verbos que rolam e muito na minha cabeça, a projeção de algo que vem acompanhando direitinho a memória de alguma outra coisa que aconteceu, mas confesso que nunca dei atenção ao "vivo". Parece estranho dizer, mas o presente para mim é muito rápido, como se o meu olho que piscasse agora não passaria de uma mémoria assim que eu os abrisse de novo e a iminência de torná-los fechar é uma projeção de um futuro próximo que só dependerá de mim para acontecer ou não.
E afinal, quanto tempo tem o presente? O passado tem muitos antes e o futuro muitos depois, mas e o presente? Agora? Esse é o tempo do presente? "Agora"? Talvez a dádiva do presente é ser efêmero, é ser atemporal, é ser de alguma forma: eterno.
"Como uma onda" de Lulu Santos concorda com Heráclito quando diz que nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, e tenho para mim que essa máxima é bem certa porque o olhar que dou para o céu agora não será como o próximo que estou a fazer exatamente agora... A conjuntura muda, o mundo muda, e "o tempo não pára".
O presente é um presente, e no auge dos meus 19 anos após levar tanto na cara que percebo isso... Carpe Diem, Carpe "Horum", Carpe "Segundum", Carpe You. O presente é agora, o presente é de leite, o presente é vivo, o presente é a primeira fagulha de tudo o que já foi ou será. E só agora que encaro isso sem achar que estou fazendo pouco caso das coisas que me cercam, pois saber que o agora é finito e infinito ao mesmo tempo e ter a possibilidade de revivê-lo sempre quando quizer, planejá-lo para o futuro do presente que é a ação, que é a sua vida sem dramas, que é o agora, que é o respiro após o nascer. É lindo! O presente é um presente...
Só sei que estou feliz e "caminhando e cantando e seguido a canção" só pra não dizer que não falei das flores. Acho que é até por isso que minha inspiração para escrever esses dias está praticamente nula ao ponto de ao acordar sentir saudades de personagens que me observam correr de um lado para o outro vivendo. "Vivendo"! Gerundismo de estar acontecendo no exato momento.
Felicidade e tristeza sempre andam de mãos dadas, e filosofando agora um pouquinho, me encontro entre seus dedos entrelaçados sentindo na pele tais sentimentos como o suor, o medo, o alívio, a segurança e plenitude de um doce caminhar nessa eterna On The Road chamada vida e agora não mais correndo o risco de tropeçar e cair feio, nem de voar e nunca mais voltar, pois sei que tem alguém ali segurando a minha mão, me amparando a cada vacilar e me soltando assim que posso divagar nos meus primeiros espamos, me permitindo desenhar sobre o vidro embaçado frases certas sobre linhas tortas que desaparecem, mas não somem por completo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

nova trilha sonora.

Eu vi um mendigo pedindo
Esmola à chuva sorrindo
Sua mão estendida pedia
Que água traslúcida escorrida
Entre seus dedos encardidos
Levassem embora suas feridas
Que havia ganhado no decorrer da vida
Coisas sofridas até para mim
Que se deixou parar e ver seu triste fim
Escorrendo em calha bamba
Fragmentos cristalizados de si
Até o bueiro mais próximo.

ps: isso aconteceu hoje...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

converse com areia.

Quem conhece esse blog a um tempo sabe que de vez enquando eu dou uma de maluca e saio por aí à ermo e acabo escrevendo esses posts em guardanapos, folders e caderninhos de recados meus pensamentos e visões do momento...

Mar. É o mar azul que eu vejo agora de jeans e bolsa de couro sentada na areia. Está tocando Keane e por incrível que pareça não me sinto triste, apenas com calor e uma vontade imensa de não ir para casa agora já que será o sinônimo de trabalho e estudo dos quais não estou com a mínima vontade de fazer.

Esse cheiro de sal e protetor solar é revigorante, fora a paz de exercitar um pouco a solidão que há muito não exercitava. Me faz bem às vezes ficar sozinha (embora a minha irmã e a Fê falem que isso é perigoso... pensar em negrito, itálico e sublinhado). Só um adendo... Beethoven! Não sabia que eu tinha colocado Beethoven no meu celular para escutar ^^ oba! Moonlight Sonata, Allegretto combina direitinho com as ondas batendo nas pedras no final da praia do Leblon, um dos lugares do Rio que mais gosto. Sabem qual é? Aquele que vai para São Conrado, o mirante?? Não? Quando eu for para lá eu tiro uma foto para vocês verem. É lindo! Até fiz uma história que esse lugar tem um significado bem especial que você só fica sabendo o porquê no final, claro.

Gente... Eu acho que aquele cara ali da esquerda tá achando que eu vou me matar, ele não pára de olhar para mim escrever sozinha na areia de tênis e óculos Ray Ban, e para falar a verdade eu também acharia isso se visse tal figura ao meu lado.

Calma... To bem hoje. Bem bem, para falar a verdade, estou pensando no quanto de conchas tem aqui... Conchas! Faz muito tempo que não as via assim inteirinhas, somente em cascalhos, mas estas estão bonitinhas... Vou até pegar uma apesar de eu saber que é anti-ecológico e tal, mas uma pequenininha não vai fazer mal.

Realmente acho que criei um novo tipo de terapia, todos deveriam experimentar a sensação de andar para um lugar que não tinha planejado e escrever coisas idiotas ou não que passam na cabeça enquanto isso. Parece que você se põe no lugar, ficar sozinho pode significar topar com você mesmo e às vezes isso pode não ser muito legal, mas saudável com certeza, afinal uma hora temos que fazer isso. Mas repito que estou ótima e só estou fazendo isso para não perder o hábito. (além do que não quero chegar em casa e estudar ¬¬'').

Ai, ai... Podia ventar mais um pouqu... (NOSSA! acabou de ventar muito! obrigada a quem estiver me escutando em silêncio). Agora o cara realmente deve estar achando que eu estou escrevendo um epitáfio ou um testamento e que daqui a pouco vou pular no mar depois que eu fiquei um tempinho olhando para o chão e procurando uma conchinha para levar com cara de perdida... -___-'' E por falar nisso eu ainda não encontrei.

Está tocando agora The Beach Boys e por um momento sorrio sem querer ao ver um jovem casal estrangeiro caminhar de mãos dadas olhando para o mar também sorrido como se estivessem em lua-de-mel (e pior que podem estar mesmo) ao som de God Only Knows. ^^ Adorei. Por isso é terapêutico, não é que você fica sozinho incondicionalmente, mas é que só assim você consegue perceber pequenas coisas que numa vida agitada não dá muita atenção. (pelo menos para mim. sou desatenta e desmemoriada para caramba) Por isso escrevo:

1- Para lembrar, e

2- Para relembrar.

Geração Coca-cola me deu uma pontada no peito quando começou com o seu violão inicial inconfundível e por um momento me deu vontade de pular no mar não me importando de ir para casa toda molhada, mas acho não vai dar, estou cheia de coisas na bolsa que não podem ser molhadas e nem serem deixadas para trás na areia correndo o risco de serem pegas, mas uma molhadinha no pé não deve fazer mal. hummm :)

Champagne Supernova começa com um mar indo e voltando que me deu uma vontade imensa de cantar, estou cantando! Gente... Ainda bem que a praia está vazia. hahahhahahaha

...

Agora estou aqui no mirante que não sei o nome tomando uma água de côco de 3,50! @*#%! (turistas não venham para cá com sede) Ah! Também tirei a foto que está lá em cima. Daqui a pouco estou indo porque eu acho que vai chover, o tempo fechou e o vento que pedi está se tornando um "bagunçador" de cabelos longos. Só queria um ventinho (...)

Suzie do Boy Kill Boy vai embalar a minha volta agora, mas se eu ainda tiver pique acho que vou dar uma passadinha lá no Starbucks para um cappuccino \o/

... (5 minutos depois de olhar o céu e a distância que eu deveria percorrer à pé para chegar até lá)

To com pique.

Beijos e até mais.

sábado, 3 de outubro de 2009

estranha no ninho.

Rio de Janeiro, 02 de outubro de 2009, às 18h25min, bairro da Saúde.

Caminho de salto alto e mini vestido pela rua mais barra pesada que eu já estive. Minha mãe já tinha gritado com uns quatro velhos de bar que mexeram comigo enquanto eu estava nervosa demais para ouvir tanto os "princesa", "gata" e "que isso heim" quanto os gritos histéricos dela atrás de mim. Não se engane pela foto relativamente feliz que começa este post, e para não iludi-los ainda mais já adianto logo... É... Não foi dessa vez gente.

Depois de caminhar por um bairro onde nunca estive antes, às cegas e de noite, finalmente a minha miopia me permitiu ver no final do deserto uma construção de tijolos, toda iluminada, com pessoas do Festival do Rio na frente e cartazes de filmes na fachada. Ai... "Estou em casa" foi a primeira coisa que eu pensei quando me adentrei naquele galpão reformado imenso e todo iluminado: brotava gente bonita e fashion que conversavam sobre Costa-Gavras em espreguiçadeiras de designers famosos, tomavam drinks feitos por barmans tipo filme, com cigarros, cabelos pintados, escrevendo em seus Mac's, sorrindo e sendo simpatissíssimos comigo. ^^

Descobri que meu nervosismo inicial tinha se dissipado com todo aquele glamour de Cannes e se transformado em... MEDO. Medo, meu Deus! "Nunca vou conseguir" (e era verdade, para falar a verdade. mas já volto nesse assunto.) "Preciso de álcool, mãe" me vi meio que gritando e batendo com a mão no balcão do bar. Como uma boa mãe é óbvio que ela disse não, mas argumentei que uma icezinha não faria mal a ninguém e ela acabou concordando. E é ai que eu queria chegar... hahahahahhaha. Minha primeira foto foi de eu tomando ice toda feliz com as minhas unhas vermelhas marcando um V que no final das contas ficou horrível. (por isso coloquei a que está lá em cima, pois está mais bonitinha)

Bem, resumo da ópera... A "cerimônia" foi bem rápida... Peraí. Caramba. Esqueci de avisar o porque eu estava lá... ¬¬'' Bem, lembra daquele festival de cinema de celular que falei e até coloquei o vídeo aqui? Então, hoje foi a grande final, os 20 semifinalistas foram escolhidos dentre os 600 que participaram de todo o Brasil e hoje essa agonia acabava.

Para falar a verdade eu não estava com esperanças de ganhar não... Tinha plena ciência que o meu não era o melhor (tinha uns muito bons) só estava nervosa mesmo por ver a reação das pessoas quanto a ele, mas feliz, muito feliz. ^^ Ainda to feliz... Um videozinho caseiro, sem roteiro (Cassavetes essa é para você!), nas férias de janeiro em Ouro Preto com as primas, uma produção bem meia-boca estava lá no mano-a-mano com gente da área, com Darcy Ribeiro, o pessoal que já faz faculdade de cinema e tal... Nossa, só por isso eu já estou feliz. Muito feliz. Agora a foto fica auto-explicativa.

E para a saideira eu queria agradecer a todo mundo que me deu a maior força, me incentivou, me elogiou, me sugeriu, me criticou, me deu opinião, me ajudou... Eu ganhei, sim... Só por ter vocês eu já me sinto uma vencedora, sério mesmo.

Obrigada

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

nostalgia de olhos verdes (imaginem o título em japonês...).

Na última quarta-feira eu emprestei o primeiro mangá de Sakura Card Captors para uma amiga que queria se inserir no mundo otaku, cosplay, hi, itadakimasu e sushi. Devo confessar que a muito tempo não lia todos os 24 mangás da série (e de série nenhuma), não via os 52 episódios que tenho em DVD comprados após rombos no orçamento, não via mais de 5 cd's de vídeos que baixava de sites nos favoritos do Explorer e não ouvia mais de 10 OST's que comprei no Mercado Livre morrendo de medo de ser caloteada de novo como na última vez que comprei uma miniatura da própria. É... Eu sou uma otaku (para os leigos, fã de animes e esse mundo japonês que pára o seu mundo todos os dias às 4:30 da tarde durante alguns anos).
Para falar a verdade, meu vício não começou com Sakura não... Existia na época Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon, Pokémon (NOSSA... Eu tinha a pokeagenda... ¬¬''), Dragon Ball, entre outros que agora não me recordo. Eu juro de pé junto que me lembro da primeira vez que vi o teaser de SCC no Cartoon Network quando eu estava na 4° ou 5° série... Era de um tom de mistério e suspense envolvendo cartas mágicas, menininhas fofinhas, bichinhos mais ainda e um não sei o quê que me fez parar e dizer: "Tá... Vou ver qual é".

E é aqui que começou a minha revolução, pois eu diria que "sim", minha vida seria completamente diferente do que é agora se eu não tivesse sentado no sofá às 4:30 numa segunda-feira e ligado a TV. Sakura influênciou na minha filosofia de vida ("Vai dar tudo certo"), no meu modo de agir com as pessoas, nos meus sonhos de menina e na minha pré-adolescência inteira. Lembro que tinha um clubinho no quartinho de empregada onde colava todos os posters na parede, guardava minhas revistas (que não eram poucas) em pilhas sob o azulejo e inventava histórias paralelas para a série (os famosos fillers) que me vinham à cabeça. Foi com Sakura que começei a desobedecer a minha mãe (quando saia de casa com 10 anos para comprar mangá na banca e Tic Tac sem ela saber... que feio =), foi com Sakura que cresci como se fosse uma prima querida: quando ela estava com 10, eu tinha 10; quando ela fazia 11 na segunda temporada, eu tinha 11 anos na 5° série, e no último filme quando ela tinha 12, eu tinha 12 (vou contar uma coisa para vocês... acho que só contei isso para uma pessoa e foi ontem ^^ quando eu fiquei pela primeira vez, quando tinha 12 anos, ao chegar em casa da festa, eu assisti ao último filme da série que era o qual ela se declarava finalmente para o seu par romântico, Shoran. hahahhahahaha muito bonitinho, pré-adolescente é um máximo).

O jeito dela me cativou de tal maneira que levo esse estigma até hoje, me identifiquei com o seu medo de histórias de terror (não é que eu mooooooorra de medo, só prefiro não vê-los ^^), com o pai fofo e que faz tudo por ela, da mãe que ela adora incondicionalmente, do irmão mais velho que pega no pé dela, mas que a adora (no meu caso irmã, mais nova, mas pegando no meu pé e me protegendo até mais do que eu me protejo, sim), com o ver o mundo cor-de-rosa, com a ingenuidade, com a preocupação pelos outros que ama e com o modo de se empolgar levantando os braços e sorrindo...

Eu nunca poderei me esquecer das vezes que escutava todos os OST's enquanto estudava para o vestibular, das vezes que eu chorava sempre nos mesmos episódios (o do arco-íris e o final, claro), da vez que eu estava assistindo ao episódio em que o Shoran, sentado num parque, enfim adimite: "Finalmente percebi que... Gosto dela". AH! Gritei muito e
quase tive um ataque do coração. Também não posso me esquecer de como adivinhar o futuro nas cartas Clow (é... eu tenho e faço isso até hoje ¬¬'') que na verdade é um tipo de tarô que influenciou muitas das minha decisões (e posso dizer uma coisa... dá certo! Dá certo mesmo. Posso até ganhar um trocado com: "Mãe Lalá, trago pessoa amada em três dias segundo as cartas Clow") hahahahhahaha
Nossa... Nostálgico. Tem muita, muita coisa mesmo que eu poderia falar ainda aqui, mas que não expressariam o sentimento que eu tenho por essa menininha carismática de olhos verdes. Só tenho a agradecer mesmo, obrigada CLAMP por me proporcionar um Che Guevara na minha vida. (tá. não chega a ser tanto assim... Beatles ou Gandhi ou a queda do muro de Berlim exemplificariam melhor. mentira hahahahaha)

Aiaiai...

Beijos e até a próxima. (imaginem isso também em japonês)