segunda-feira, 12 de julho de 2010

30 Days Letter Project

Foi na semana passada que vi esta proposta no blog da Nanda Azevedo e que de cara gostei, pois além de ser um daqueles posts que dá para você escrever coisas que geralmente não fala com tanta frequência para as pessoas de cada tópico ainda faz você pensar e fazer um balanço geral das pessoas e coisas que influenciam e muito na sua vida. Por essas e outras declaro hoje o primeiro dia da primeira carta que irei enviar a 30 pessoas em 30 dias, isso é claro se eu seguir o cronograma direitinho, coisa que eu até vou me forçar a fazer para ficar mais legal.
Mal posso esperar para eu mesma me surpreender com os destinatários óbvios ou não que estão para vir nestas próximas cartas. See you!

Day 1 — Your Best Friend (seu melhor amigo)
Day 2 — Your Crush (sua paixão)
Day 3 — Your parents (seus pais)
Day 4 — Your sibling (or closest relative) (seus irmãos ou parentes próximos)
Day 5 — Your dreams (seus sonhos)
Day 6 — A stranger (um estranho)
Day 7 — Your Ex-boyfriend/girlfriend/love/crush (seu ex-namorado/amor/paixão)
Day 8 — Your favorite internet friend (seu amigo da internet favorito)
Day 9 — Someone you wish you could meet (alguém que você gostaria de conhecer)
Day 10 — Someone you don’t talk to as much as you’d like to (uma pessoa que você não conversa tanto quanto gostaria)
Day 11 — A Deceased person you wish you could talk to (uma pessoa falecida com quem você gostaria de conversar)
Day 12 — The person you hate most/caused you a lot of pain (a pessoa que você mais odeia/que te causou muita dor)
Day 13 — Someone you wish could forgive you (alguém que voce deseja que te perdoe)
Day 14 — Someone you’ve drifted away from
Day 15 — The person you miss the most
Day 16 — Someone that’s not in your state/country (alguém que não está no seu estado/país)
Day 17 — Someone from your childhood (alguém da sua infância)
Day 18 — The person that you wish you could be (a pessoa que voce deseja ser)
Day 19 — Someone that pesters your mind—good or bad (alguém que rode sua mente - pro bem ou mal)
Day 20 — The one that broke your heart the hardest (a pessoa que quebrou seu coração da pior maneira)
Day 21 — Someone you judged by their first impression (alguem que voce julgou pela primeira impressão)
Day 22 — Someone you want to give a second chance to (alguém pra quem voce deseja dar uma segunda chance)
Day 23 — The last person you kissed (a ultima pessoa que voce beijou)
Day 24 — The person that gave you your favorite memory (a pessoa que te deu a sua memoria favorita)
Day 25 — The person you know that is going through the worst of times (a pessoa que voce sabe que vai estar ao seu lado nas piores horas)
Day 26 — The last person you made a pinky promise to (a ultima pessoa pra quem você fez uma promessa)
Day 27 — The friendliest person you knew for only one day (a pessoa simpatica que voce conheceu só por um dia)
Day 28 — Someone that changed your life (alguém que mudou a sua vida)
Day 29 — The person that you want tell everything to, but too afraid to (a pessoa pra quem voce tem vontade de falar tudo, mas tem medo de)
Day 30 — Your reflection in the mirror (seu reflexo no espelho)

terça-feira, 29 de junho de 2010

novela da vida real.

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Seattle - Avishai Cohen Trio
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Nós sempre achamos que a nossa vida não mereceria um Grammy, ou um Emmy ou quem sabe até um Tony pelo simples motivo do cotidiano ser taxado erroneamente de chato. É a rotina de ir para faculdade, ou para a escola, ou para o trabalho enfrentando o Buda do comum que é o trânsito até esses locais, ócio nas tardes de domingo, e noites meio sem graças de quarta-feira onde dormirmos cedo só por não estar passando nada de interessante na TV.
Digam a verdade, se fôssemos Bruce Willis num helicóptero em chamas, Penélope Cruz nos filmes de Almodóvar, digitalmente desenhados em 3D ou Gene Kelly em Paris onde coincidentemente todos da cidade sabem cantar a mesma música não daríamos valor as pequenas coisas do dia-a-dia como um Oscar de melhor fotografia por perceber que a iluminação da sua rua está diferente só porque a maior árvore dela foi podada, um Grammy de melhor música tema em ir para o trabalho de ônibus ouvindo Avishai Cohen Trio, e um Tony na melhor atuação drama por brigar com a sua mãe. Isso tudo é tão... Comum.
"A vida é um palco" como bem dizia Charles Chaplin e os conceitos de mimesis, catarse e verossimilhança no Teatro onde a representação de algo ''comum'' causa um sentimento no espectador de identificação com a personagem. Acho que é por isso que almejamos tanto a tragédia quanto a comédia da vida, afinal ela é feita disso e segundo a ciência da psicologia nada mais normal do que esse processo de identificação e desidentificação com ''heróis'' nos quais nos parecemos, queríamos ser e que não desejaríamos de ter. Então essa coisa de não dar valor às coisas mais triviais do dia-a-dia é uma negação de tudo o que você vai ser e será, pois é assim que acontece, se não damos valor ao nosso próprio roteiro como teremos vontade de próprio dirigi-lo? Tudo começa por aí, em ser a protagonista ou a melhor amiga, em ser um diretor/roterista e com isso tomar as rédeas da sua própria história e detalhes visuais e de impacto que fazem toda a diferença na obra final.
São coisas triviais como o primeiro dia de aula do seu filho como na animação Procurando Nemo, conversar com os amigos bebendo vinho como em Sideways, terminar com alguém como em O Diário de Bridget Jones, ir a um show como em Quase Famosos ou ter um filho como em Junior, bem... Nem tanto assim, mas sei lá né? Todas essas representações que vemos através do cinema e teatro nada mais são do que inspirações do que já aconteceu com você, o que acontecerá ou está acontecendo, o que nunca irá acontecer, o que gostaríamos que acontecesse e todos os outros tempos verbais para isso, basta só nos tornarmos diretores/roteristas e principalmente personagens principais do nosso próprio roteiro para que no final possamos não concorrer no hall da fama do ''e se eu...'' patrocinado por Deus, Alá, Buda, Maomé ou qualquer outra entidade participante. Só não vale ficar triste como eu que quando completou 11 anos achou estranho a carta de Hogwarts não ter chegado... Mas quem sabe né? Ainda ninguém provou nada...
Na verdade sempre soube dessa auto-ajuda barata de quinta, mas me toquei melhor disso depois que conversei com uma amiga sobre uma história que ela quer fazer se baseando em todo o ensino médio da nossa escola, do primeiro ano ao terceiro de coisas que aconteceram com cada estudante real que estudou lá e eventos que envolveram eles e a escola em si. Porque sim! Houve coisas cotidianas, absurdas, divertidas, tristes e comuns que fariam Woody Allen morrer de inveja. Sempre há.
São histórias de amor cinematográficas de todo o tipo e para todos os gostos: as articuladas pelo destino, à primeira vista, à segunda vista, a la Jota Quest do ''porque o amor pode estar do seu lado", as de não ter uma história de amor cinematográfica, as tristes e longas, as felizes e curtas, as de nunca encontrar a pessoa certa, as de sempre encontrar as pessoas erradas, as de infância e as que ainda vão acontecer na continuação da franquia. São barracos históricos de amigos sem se falar, amizades sacrificadas, guerras frias, alfinetadas e momentos tensos que se não tivessem resultados tão desastrosos dariam grandes chances de se ganhar a Palma de Ouro em Cannes no quesito drama. São momentos comédia que vão do sarcástico humor inteligente às piadinhas sem graça comendo pizza, do humor negro ao escrachado durante uma aula ou mesmo sozinho em casa num sábado à noite e acontecimentos inteligentes onde o que não era para ser divertido acaba conquistando todo mundo.
Tenho certeza que você que está lendo se identificou com algum desses exemplos tirando o fato de eu ainda não ter mencionado os jantares em família como O Poderoso Chefão, ler algum livro como no O Clube de Leitura de Jane Austen, fazer sexo como no O Último Tango em Paris e o basicão de todos: dormir, como em praticamente todos os filmes que já foram produzidos. Escrevi este post ver se consigo introduzir pelo menos um pouquinho de valor na nossa própria existência meio sem graça às vezes porque não teremos um carro que vire um robô, ou muito dinheiro que nos faça virar um super herói ou poderes mágicos, o que é uma pena, mas sim valorizar a parte acessível a isso tudo que podemos construir para nós mesmos mesmo que soe um pouco surreal você imaginar certas missões para você durante o dia, afinal a vida é sua, você que decide qual gênero você quer para a sua própria história, depende apenas de você fazer dela um dramalhão xarope onde a mulher morre de fome no Tibete junto com a sua lhama, um filme comercial onde todos vão ver, um filme com conteúdo, um filme de comédia-romântica que já imaginamos o desfecho desde o começo ou quem sabe uma aventura eletrizante com carros super legais que fazem drift, mas aí é com o juízo de cada um...
A partir de agora dê mais valor às pequenas coisas a sua volta porque é delas que saem os diferenciais na hora de se escolher a melhor direção, atuação, roteiro, fotografia, trilha sonora e ''efeitos especiais'' que com certeza se não as tivesse vivendo, sua existência seria completamente diferente... Click.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

meio diferente.

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The Cinema Show - Genesis
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Há muito tempo não escrevo em você... Muitas coisas têm acontecido desde então e apesar da minha promessa em agregar a escrita à minha nova fase, só estou escrevendo quase um mês depois do último post... Em maio! Hoje é junho, 23 de junho e provavelmente o único do mês.
Não é que me tenham faltado assuntos para dissertar, mas é que a falta de uma brecha para por em palavras tudo o que eu penso em horas de ócio (acreditem) é o que me falta. No momento estou numa fase boa e nova que nunca tinha experimentado antes, como o estágio (pois é... estou estagiando pela primeira vez na minha área, não mais limpar privadas e falar good morning sir ou cortar foto no photoshop, apesar de eu também ter gostado de fazer isso, agora é só layout do briefing, a tirinha que eu tenho que preparar para a nova campanha e ficar na frente do computador esperando ordens), férias que na verdade não são férias (por causa do item a cima), uma briga com uma amiga querida (nunca tinha passado por algo tão sério), a falta de presença que tenho estado ultimamente com amigos e principalmente família (desculpem-me...), e namoro.
Pois é... To namorando. No começo era ainda esquisito eu falar para as pessoas que eu estava de fato namorando, afinal a vida de solteira me caia muito bem e eu estava acostumada com isso. Mas com o passar do tempo eu me desacostumei é ficar sozinha, namorar é muito bom, pois além de você ter uma pessoa para fazer certos tipos de coisa que não dá para fazer com todo mundo (XD), se têm as conversas sobre Jethro Tull a Atari, de coisas sérias da vida a Vatsyayana e de carne moída a cachorros; os telefonemas nas madrugadas com insônia; os filmes idiotas que fazemos piadinha depois e só nós entendemos e uma presença que faz toda a diferença na semana.
Pois é...
Minha vida esse ano de 2010 já deu uma guinada legal de coisas novas e que estarão presentes na retrospectiva 2010 em dezembro, acho até que estou fazendo esse texto porque li o post de 2009 no qual disserto sobre as coisas daquele ano e percebi que 2010 não está ficando para trás no quesito importância até agora pelo menos e olha que só estamos em junho... Uma curiosidadezinha - ontem eu estava de bobeira na frente do computador lendo algumas matérias no Wikipédia quando me veio na cabeça: “Qual será o dia da metade exata do ano?” “Humm”, pensei fazendo a conta de cabeça 365 dividido por 2 que é igual a 182,5... “Ok”, joguei no Wikipédia como primeiro chute o dia 30 de junho para ver se ele me informava se aquele dia era o 182° do ano... Não era, na verdade ele era o 181° dia do ano fazendo assim seu sucessor, o 182°, meu campeão. Dia 1° de julho ainda não é a metade exata do ano, mas sua transição com o dia 2 de julho sim, apesar de que se estivéssemos num ano bissexto aí sim seria a metade exata.
Enfim... Tudo isso para mostrar que falta pouco mais de uma semana para a metade do ano e eu já fiz muita coisa de lá para cá. Foram viagens, foram trabalhos, foram coisas na faculdade, foram amizades, fora o namoro nessa quase metade de ano que para falar a verdade achei que seria bem sem graça... Mas me enganei. Tudo bem que eu sinto falta da quantidade de filmes que eu assistia, do meu tempo livre todas as tardes, da minha disposição de fazer qualquer tipo de coisa não importando o dia que eu tinha tido, e de ir mais na casa do meu avô para almoçar, mas também nunca escutei tanta música quanto eu estou escutando agora, nunca viajei tanto em tão pouco tempo, nunca dei tanto valor em ir para o trabalho só observando a natureza para compensar um dia inteiro envolvida em concreto, nunca pensei que poderia me sentir tão confortável e querida por alguém que gosto tanto.
É... Confesso que ando reclamando de barriga cheia, aliás, de barriga lotada prestes a explodir, porque está tudo ótimo, mas ainda sim estranho quando alguma coisa não está dando errado e então coloco assim mesmo alguma barreira. É só me acostumar com a nova fase, porque como toda fase que a gente passa ela não é pior ou melhor, é apenas diferente.

sábado, 22 de maio de 2010

às pazes...

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A Day in the Life - The Beatles
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Esta é a sétima tentativa de começar a primeira oração deste post e provavelmente a última. Acho que desaprendi, com todos esses dias sem escrever, como desenvolver uma ideia e transformá-la em palavras do mesmo modo como a um ano atrás de uns 15 posts mais ou menos por mês que me faziam escrever. Hoje em dia meus meses se resumem a dois poucos textos nos quais ainda peno um pouco para escrever pela falta de tempo, saco e inspiração. Tal constatação infeliz me fez perceber duas coisas não muito legais ao meu processo de produção textual: 1- Escrevo melhor quando estou psiquicamente sozinha e 2- No momento que estou mais feliz nos últimos tempos não consigo reproduzir isso.
Eu estou feliz. Pode até parecer uma coisa mórbida de se dizer, mas acho que nesses últimos dias as coisas têm realmente dado certo em todos os aspectos da minha vida, não só a sentimental, mas como a familiar, como as minhas questões internas, da faculdade (apesar de tudo), da minha casa, profissionais e tudo mais como não havia estado tão bem desde os meus sei lá... Sete anos quando o meu maior problema era saber se eu iria ficar ou não de recuperação em matemática.
Percebi que fiz as pazes comigo mesma e que os meus ditos ''problemas'' são resolvíveis e não mais impossíveis que podiam me matar como imaginava antes a um ano atrás. É engraçado que eles não parecem menores nem insignificantes depois de um tempo, continuam sim algo ainda estranho que tenho medo de chegar perto, mas nada que eu não pudesse contornar. A questão foi que agora confio em mim, o mundo pode cair tudo de novo que apesar da minha personalidade eu voltar a ficar apática e quieta, vou saber lá no fundo que eu aguento, assim como todo mundo sabe que só carrega a cruz que pode carregar.
Sei que é um quase tabu pensar que isso tudo de bom e colorido que está editando meu filmeco expressionista alemão preto e branco sem legendas pode acabar, não gosto nem de falar sobre isso, pois parece até ingratidão, mas sim, de fato, pode acontecer nas melhores famílias. É realmente contar derrota antes do tempo, e convenhamos quem é que sabe disso não? Se soubéssemos o que aconteceria o futuro nem mesmo sairíamos de casa, como já dizia o mito de Pandora tal ignorância fez de nós seres humanos seres com a qualidade da Esperança. O sentimento de que tudo pode dar certo contradiz a entropia no momento no qual você cria uma egrégora boa naquilo que o faz feliz, e dane-se se vai dar certo ou não oras... Velha questão do Carpe Diem que aprendi não faz muito tempo.
Meus momentos de introspecção funcionavam para eu sobreviver dentro de mim tipo reciclando a água suja que eu criava e agora com a nova extroversão está servindo pela renovação do ar pesado das noites em claro em ar puro de novas relações e uma nova ''eu''.
O tempo curto serve para as vezes que escuto música sozinha no ônibus pensando cenas na minha vida e não mais em histórias fantasiosas que queria fazer parte, meus momentos sem saco para escrever servem para na hora de uma vontade de fazer algo, ligar para alguém e de fato fazer alguma coisa e não mais ficar a frente do computador escrevendo coisas que gostaria de fazer e minha falta de inspiração serve agora minha transpiração de tudo de bom que está fluindo em mim, mesmo quando o dia não está dos melhores.
Sempre me lembro de uma frese do filme ''O amor não tira férias'' em que o velhinho roteirista fofo diz para a Íris não ser ''a melhor amiga'' e sim a ''protagonista'' da sua própria vida, acho que pela primeira vez estou deixando de ser a melhor amiga e sendo a protagonista do meu filmeco agora colorido como naquele episódio das Meninas Super Poderosas. ^^ Mas a questão da escrita que é a que eu ainda infelizmente não consegui acoplar na minha nova fase... Mas vou me esforçar, até porque é uma das coisas que mais gosto de fazer, acho que só estou nessa porque meio que substitui uma coisa que me faz bem por outra, basta só reajeitar que dá tudo certo.
Desculpa Laís. É chegado aquele momento em que as duas pessoas se olham e se pedem desculpas por tudo o que fizeram uma a outra... Privação, culpa, medo, apatia, tristeza e pensamentos nada legais que se uma hora vocês estiverem enfrentando com vocês mesmos trate logo de pedir desculpas um ao outro, pois senão vai sentir como se estivesse sempre algo pendente mesmo não sabendo exatamente o que é, mas tenho um palpite que é com vocês mesmos...
Depois de um abraço tudo melhora, os dois se olham e sorriem caminhando de mãos dadas contando tudo o que haviam feito a quase um ano ''de mal'' e ausência.
''E aí? O que tem feito?''
''I saw a film today, oh boy...''

quinta-feira, 29 de abril de 2010

aquele dos sonhos.

Fuxicando meu blog às moscas, pois coitado, larguei de mão completamente meu quase filho de um ano esses últimos dias, reli coisas que escrevi em maio do ano passado e nossa! É realmente muito estranho ver como você pensava, se expressava, sentia e escrevia mudar de uma forma que talvez só você perceba em apenas um ano... Bem, quase um ano.
Estava me divertindo com antigas neuras, histórias que nunca mais escrevi, fatos que aconteceram, pessoas que sumiram e um post antigo com apenas um comentário de uma amiga... ''top 20 (dreams)''. Nem me lembrava dessa listinha que fiz só para dizer que no meu blog tinha uma listinha de alguma coisa apesar de eu ser péssima para listinhas, afinal até que não me acho indecisa e sim muito eclética por gostar de muitas coisas e ficar com peso na consciência depois por ter esquecido de colocar algo lá. Ok... Reli a listinha dos meus vinte maiores sonhos possíveis (?) e após cada palavrinha que era digerida por mim, me dei conta que alguma coisa tinha mudado... ''Eu já fiz isso'' foi a minha primeira reação.

1- Fazer uma viagem sozinha. (Bem, apesar de eu ter viajado com uma amiga, podemos considerar o meu intercâmbio para a Califórnia como uma ''viagem sozinha'', não é? Afinal minha mãe não tava lá para pagar aquele cardigã que eu adorei, nem meu pai para brigar comigo quando atravessei a rua sem olhar só por estar admirando as novas paisagens, nem a minha irmã para fazer bagunça comigo no avião à meia-noite enquanto todo mundo dormia.)
2- Sentar na primeira fileira da estréia do meu filme e ouvir aplausos no final. (Segunda coisa bizarra que quando li falei ''caraca''... Tem o Cel.U.Cine! Meu filmeco amador e sem jeito que foi selecionado para esse festival de curtas concorrendo com gente grande e ainda tendo a honra de escutar que o meu trabalho foi ''sensível, lírico, toda vez que vejo gosto mais''. Apesar do que eu não estava sentada na primeira fila, e... Meu filme não ganhou... Tudo bem, não queria mesmo.)
3- Ter uma música inspirada em mim. (Achei que eu iria morrer sem ter o prazer cinematográfico de ter uma música inspirada em mim, mas eu me enganei. Minha irmã sabe que eu adoro valsinhas, aquele estilo de música no violão calminho como na música de Julie Delpy em ''Antes do pôr-do-sol'', então fez uma musiquinha muito linda e que eu fiquei toda boba no dia. Sempre achei que seria como na minha história em que a mocinha descobre que a música é para ela quando o mocinho ao cantar um palco circular que gira, arranca todos os cabos sem querer enquanto cantava rodando em círculos olhando para os olhos dela lá parada, mas tá lindo! Obrigada bebê.)
4- Concluir de uma vez por todas os ensaios, histórias, roteiros, peças e contos inacabados que lotam minhas gavetas. (Então... Por falar em histórinhas minhas... Uma coisa de cada vez né gente? To muito enrolada ultimamente além de eu estar uma fase mais roterista que propriamente escritora, e é muito frustrante você borbulhar ideias na cabeça e não ter a técnica para isso, aí me desmotivo... Resumindo: Pendente.)
5- Cantar apontando para alguém na platéia. (Tá aí uma coisa que fiz e que lembrei na hora desse texto! Foi da vez que fui num aniversário num karaokê com banda e ao cantar ''Você não vale nada mais eu gosto de você'' com um amigo, apontei para o pessoal lá embaixo, mas sem especificar quem... Vale?)
6- Chutar o balde que contém todos os meus medos. (Olha... Esse foi o momento emo da listinha que na época tinha tudo a ver e tal, mas depois que passa a gente vê que o esforço, esforço consciente para que isso acontecesse não foi utilizado e sim o ''viver'' como já deveria ter sido. Não sei se foram todos, mas que eu derrubei uma boa parte no chão e fiquei olhando depois para tentar descobrir o que era, sim.)
7- Ter um episódio na vida que daria um ótimo filme antigo em preto e branco. (Ahhh! Isso com certeza teve! Especialmente em 2009, meu ano mais EU que tive, onde o que consigo lembrar com mais detalhes foram dígnos de um vestido à la Scarlett O'Hara, Bergman e uma música do Nino Rota. Tirando o ''jogo da verdade'' que foi bem século 21, senão seríamos todos queimados na fogueira. Tá, esse momento pode ser no mínimo um cult metido a besta em sépia.)
8- Aprender de uma vez por todas as músicas que eu enrolo. (Xi! Essa eu não aprendo de nenhum jeito gente... Não é possível, só pode ser um distúrbio que os médicos ainda não encontraram a doença muito menos o remédio. Resumindo: Pendente.)
9- Ler todos os livros que eu quero ler. (Esse ai é Mea Culpa, Mea Maxima Culpa. Estou muito relapsa com livros, lembro de ter lido poucos que estavam na minha listinha mental que só aumenta como: Admirável Mundo Novo, Otelo, O Símbolo Perdido, O Clube do Filme, Desista! e olhe lá... tsc, tsc, tsc.)
10- Dirigir um daqueles carros-monstro. (Esse aí foi por falta de oportunidade, põe só um caminhão-monstro para alugar tipo Kart para ver se eu não vou?)
11- Chegar numa loja e falar: "Eu vou querer tudo". (Esse eu fiz! Por incrível que pareça esse tópico achei que nunca iria realizar de fato. Mas basta você trabalhar durante três meses guardando boa parte desse dinheiro e depois poder gastá-lo numa loja em Nova York pedindo de fato tudo, eu disse tudo o que você quiser... Bons tempos de rica.)
12- Ter uma personagem nos Simpsons. (ou quem sabe um anime) (Eu acho que os Simpsons não vai rolar, mas o anime sim! Na verdade um mangá que é um anime em figuras de quadrinho que a minha amiga tá fazendo e que tenho uma personagem inspirada. Suteki!)
13- Aprender um instrumento musical e ter talento para isso, e aí sim ter uma banda. (Eu até que tentei teclado e violão, mas tô longe ainda...)
14- Escrever um livro (mais de um no caso). (''RT'' para o tópico 4)
15- Sair dirigindo um dia e parar só quando a gasolina acabar. (Só me falta uma coisinha pequenininha que se não fosse contra lei e eu não fosse para a cadeia por isso já teria feito a muito tempo: carteira de habilitação. Resumindo: Pendente.)
16- Viver em Nova York. (Só uma questão de tempo my friends.)
17- Encontrar meu Ying Yang. (Eu até que encontrei! É literalmente do tamanho de uma moeda de 25 centavos e vai ficar no meu ombro direito assim que eu tiver grana para pagar essa tatuagem.)
18- Parar de imaginar, sonhar e pensar coisas que não me fazem bem, mas que mesmo assim as faço para me martirizar por alguma razão que ainda desconheço. (Xi! Esse é difícil também... Resumindo: Em manutenção.)
19- Praticar Le Parkour. (Se valer saltar e pular de pedras numa cachoeira ao invés de prédios e praças, então sim! Se não... Bem, ''RT'' para o tópico 10)
20- Escutar "eu te amo". (Resumindo: Pendente.)

terça-feira, 6 de abril de 2010

a teoria das galochas.

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It's The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)
R.E.M
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Bastou-me apenas uma visão para que a minha vontade de escrever voltasse novamente desde o dia 15 de março... A fotografia de uma boneca sem roupas caída em meio a lama na rua veio para mim como Robert Capa na guerra, sem querer me deixei tocar pela trágedia ao invés de temas lindos e felizes que me vieram à cabeça a semana toda. Apesar de não faltarem assuntos a se falar desde que eu cheguei ao Brasil, o desânimo para fazer qualquer coisa me tomou de tal maneira que não conseguia nem me expressar...
Desde de ontem a noite, o Rio de Janeiro enfrentou algo nunca visto com tanta intensidade nas últimas décadas, a chuva que se abateu contra palmeiras, ruas com má infra-estrutura e cariocas despreparados causou mais do que dor de cabeça nas pessoas que as estavam enfrentando, como uma coisa tão bonita ao meu ver de manhã que caía do céu branco opaco pode causar tanta destruição por ser simplesmente... água?
Logo pela manhã meu humor já não estava muito para ir à faculdade e quando as autoridades aconselharam a gente a ficar em casa achei que seria uma boa deixa para se fazer absolutamente nada, mas na hora não me toquei que esse nada era realmente NADA. O tédio nesses últimos dias já me acompanhava numa semana que pelo menos tinha a faculdade para preencher 1/3 do dia, mas hoje não havia nada, apenas a chuva, minha rua alagada, repórteres surtando, uma dvdoteca que já cansei de ver e uma SKY que não passava nada de interessante. Ok... Não era tão legal quanto eu imaginei. Durante um tempo consegui me sedar vendo programas que não queria ver, me maquiando para testar a nova maquiagem (...), separando as cartas do baralho em ordem alfabética de naípes e númerica crescente, vendo a chuva diminuir pela janela da sala e tentando convencer a minha mãe gripada e irmã sem paciência a jogar Scotland Yard, nada feito... O problema não era o ficar sem fazer nada, e sim a caixinha de Pandora que está a minha cabeça ultimamente, o ócio para mim está um perigo, metaforicamente poderia dizer que é a chuva que cada vez mais chove dentro de mim me fazendo afogar em mim mesma. Precisava sair... Andar à ermo.
Já tinha parado de chover quando vesti as minhas galochas que vão até os joelhos e peguei a minha bolsa com o Ipod e dinheiro para alugar um filme na locadora que na verdade nem sabia se estava aberta ou não, mas para falar a verdade queria mesmo é dar uma volta. Era tanta a tragédia que anunciavam que fiquei até sufocada, precisava de ar. Enquanto andava e escutava música via os estragos que a chuva havia feito durante toda a sua atuação: lama, lixo, lojas fechadas, parecia um final de domingo chuvoso em final de campeonato Fla x Flu no Maracanã. Era triste por causa das mortes e pessoas desabrigadas, mas sem querer uma Amelie, ou quem sabe Pollyanna ou até mesmo a Lilly Allen naquele clipe baixou em mim e achei até que bonita a cena... Homens do Apoio ajudando velhinhas a pular as poças d'água, vizinhos se mobilizando para limpar as calçadas todas sujas de terra, o céu branquinho branquinho com minúsculos pontinhos decantando sob minha cabeça parecendo floquinhos de neve, a criança que se soltou da mão da mãe só para colocar o pé no lodo mesmo depois levando uma bronca da própria e a foto que não tirei não sei porque da boneca caída no chão. Parece que eu tenho quase que uma necessidade empírica de poetizar as coisas e torná-las, não sei, coloridas apesar das fotografias de Capa serem em preto e branco.
É quando ninguém mais vê beleza num lodo que nasce um lótus que nos faz perguntar o porque nos tocamos com coisas que a primeira vista são um caos e para que elas se apaziguem dentro da gente devemos achar o lótus desta própria coisa... É quando há apenas poças que a única diversão tirada é a de usar galochas e andar sob elas. Tenho a teoria de que todo mundo devia ter pelo menos uma galocha... Acho que é esse o grande remédio da depressão humanitária que só faz prender as pessoas dentro delas mesmas, o sentimento diário de se auto regular e privar de certas coisas que deveria ser levada ralo abaixo pelo uso de galochas na chuva. Nada mais libertador do que enfiar com toda a sua força a galocha na poça dando de primeira aquele sentimento de estar fazendo uma coisa ''tabu'' só que na verdade não atinge você de fato.
Não entendo essa humanidade que cismou de se guardar por acanhamento e acomodação, seria mais saudável ter pelo menos uma válvula de escape qualquer seja ela gritar do nada no meio da rua, fazer o que gosta mesmo com meio mundo contra, ficando sozinho, acompanhado ou até mesmo andar à ermo como num clipe passando por poças, lamas e lixos como se fosse a coisa mais normal do mundo para depois ao chegar em casa e levar a pobre coitada da galocha direto para o tanque.
Terminou com um verbo que não deveria estar começando este parágrafo, numa locadora surpreendentemente aberta para este domingo chuvoso disfarçado de terça, fui pegar pelo menos dois filmes para me atualizar e tornar esse fim de tarde mais prazeroso, mas devo confessar que minha ideia de gênio não foi de tão genial assim porque outros gênios tiveram a mesma ideia que eu ficando junto comigo na fila em pelo menos vinte minutos... Mas tudo bem, já estava bem melhor. O mundo podia estar acabando lá fora, mas pelo menos o meu fim de mundo interno ficou um pouco preso sob a terra dos asfaltos limpando em água suja algo que estava bem mais preto do que ele.

segunda-feira, 15 de março de 2010

farewell.

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O Ministerio dos Blog's adverte: Devido a um texto muito grande e a um bom conselho de um amigo querido, acatei a ideia de colocar uma musica tema que tenha a ver ou nao com o texto que e lido. Como esse texto e demasiado grande indico logo um album para nao ter erro.
Hopes and Fears - Keane
=) obrigada.
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''A minha ultima visão do Rio foi quando virei para trás e vi a minha mãe chorando... não aguentei, chorei''. Parece que faz seculos desde quando as onze da noite numa terça-feira deixei dezenove anos e meio de historias no pause e dei play numa historia paralela a ela de exatos 90 dias vivendo em um outro cenário, com novas personagens, numa nova trama, mas com a mesma personagem principal, mas agora não mais Lais e sim Layz.
As vezes esqueço que estou aqui em Garberville-Califórnia-fim-de-mundo, três meses e muita coisa e ao mesmo tempo pouca coisa para se viver brincando de gente grande numa conjuntura nunca visitada por mim. Nunca achei que teria a forca que tive, que teria o jogo de cintura que tive nem que saberia lidar com questões que lidei de uma forma tao natural e madura que já não sabia que existiam em mim, mas que precisavam de um vale cor-de-rosa no por-do-sol, um rio azul calmo e marrom quando veloz, das montanhas verdes ao se observar de longe, das noites escuras e estreladas de madrugada e um céu branco pela manha para aflorarem nesse meu coraçãozinho com novas cores.
Somente quando se esta ''sozinho'' e que percebemos o quanto coisas de um passado recente nos faz falta ou saudade. Somente nesses lugares isolados nos damos conta que expressões tao usualmente empregadas no mesmo sentido tem significados tao diferentes... Sentir saudade por mais que pareca algo ruim se se acostumada com ela acaba se tornando algo bonito, um tipo de nostalgia gorda e fria que gostamos de lembrar e remoer na cabeça pequenas coisas como o meu quadro de fotos, o cheiro da cama da minha mãe, as ligações incessantes de amigas, idas ao barzinho, minha faculdade... Saudade acabou se tornando algo bom pra mim, já não dói mais, agora e só um sentimento bom causado por gostar muito de algo que veio antes, um sentimento ate saudável de se sentir. Mas há a falta... Falta não e legal. Falta não e como a saudade que só basta você contar para alguem coisas que passou, rir ou chorar que ta tudo bem... A falta não tem como tapear, você sente e ponto, não tem como substituir nem se enganar, a saudade você sente e não percebe, a falta você também sente, mas não consegue sossegar ate ter uma fagulha desse algo que te atormenta que pode ser tanto uma ligação quanto um recadinho no orkut perguntando como você esta.
Ta acabando... Alias, já acabou essa minha vida paralela que surgiu para mim como um bote salva-vidas no começo e um ''porque eu to fazendo isso mesmo heim?'' no final antes de vir para cá, porque a vida e esperta... Te prega peca quando você menos imagina, antes e depois. A peca preparada para mim eu não poderia ter pedido melhor porque não seria possível, um sorriso vem em meu rosto só de lembrar das coisas que vivi aqui, das pessoas que conheci, das experiencias as quais passei, das compras que fiz, das visões, de tudo mesmo. Foi... Divino. Uma das experiencias na minha vida mais maravilhosas e que nunca vou esquecer.
Cada pedacinho daqui tem a sua historia comigo e o mais bonito e que as pessoas que virão depois de mim não saberão que deitei neste canto direito da cama, não saberão que fui eu quem destruiu a lanterna do trailer numa batidinha de carrinho de golf, não saberão que fui eu quem limpou aquele quarto sujo e bagunçado pra caramba, não saberão que o canal 34 de clássicos me fazia companhia de manha, não saberão que a cortina da sala só pode ser aberta para baixo porque se aberta para cima pode emperrar, não saberão que os furinhos na cortina do lado direito do quarto são devido as fotos que pendurava ali, que a mancha no teto foi porque eu coloquei um incenso preso ao cartaz da Marilyn, que no chão da sala há um pontinho fundo no carpete por causa da goteira, não saberão do sapo fossilizado debaixo do sofá.
Rua G Avalon 78 trailer 76 tem ¼ da minha vida em 2010 e só agora botando assim no papel que me dou conta o quanto isso e tempo em relação a um ano. O Leandro um dia me disse uma coisa bem verdade desta cidade em que vivo: ''aqui não e um lugar para as pessoas ficarem, aqui e um lugar de passagem, o mais bonito e que elas vão e vem toda hora''. Garberville foi mais um nó na minha linha cronológica de acontecimentos marcantes e divisores de agua que não nos modificam e sim nos renovam. De alguma forma eu tinha que vir pra cá aprender, conhecer, evoluir e pensar...
Aprender a me virar sozinha, viver de mentirinha coisas reais da vida, aprender a ser Lais Carvalho dos Santos numa conjuntura onde ninguém me conhecia de verdade e tomar para mim que eu sou bem mais do que eu achava ser quem era. Conheci russos, argentinos, novaiorquinos, suíços, luisianos, canadenses, mineiros, guatemaltecos, mexicanos; pessoas diferentes que vou levar ótimas lembranças, coisas boas e ruins.
Evoluir como pessoa que sou, o ser menos ''aquela coisinha fofinha inocentezinha menininha'' e me tornando mais mulher de fato, não que eu tenha deixado de ser, mas agora de uma forma mais madura e racional, adulta que antes. E e claro, evoluir no inglês, ''impruvar'' como dizemos aqui também.
Conhecer lugares novos, conhecer novas pessoas, me conhecer de fato. E pensar... Pensar, pensar, pensar. O ócio de uma cidade de interior faz isso com a gente apesar de eu já fazer muito isso mesmo numa cidade grande. Pensar e ouvir, para ser mais exata, minhas 4993 musicas ''roubadas'' de todo mundo daqui. ^^
Ai ai... Ta acabando. Alias, já acabou. Não posso deixar de sentir uma dorzinha no peito ao olhar pela janela e ver pela ultima vez algo que provavelmente nunca ninguém que eu conheça vá conhecer. Parece que o magico desse lugar e ele ser de alguma forma um sonho bom, como se eu estivesse em coma... Perai, e se eu estivesse em coma e tudo isso não passasse de um sonho e que as pessoas do ''outro lado'' que conversam comigo pela internet ou telefone na verdade falam comigo no hospital como no filme ''Fale com Ela''?
Estou prestes a acordar... Parar de sonhar nos sonhos, voltar... A dorzinha volta só de lembrar, quem diria que aquela menina que no começo chorava de saudades e certas vezes nem entrava no computador para não ficar pior, agora e essa mulher olhando com olhos baixos a mesma cena sentindo saudades do que viveu desde o dia 15 de dezembro de 2009? Sabe... Acho que fui a única dos estudantes daqui que não pediu para ir para casa, das vezes que pedi, pois o trabalho tava um saco ou estava muito cansada me referia a minha casa daqui: Rua G Avalon 78 trailer 76. Estranho eu estar indo embora de casa para ir para a minha casa...
Saudade... Acho que vai ser esse o sentimento que vou levar daqui e que vou contar aos meus filhos como se fossem historinhas de ninar: sua mãe já andou de bicicleta numa alto estrada com caminhões imensos passando ao largo enquanto ela pedalava de encontro a eles, ela também já andou num rio de meias e jeans depois teve que fazer todo o caminho de volta pra casa no mesmo estado pois seu tênis apenas tinha uma semana, sabiam que ela já bateu de carrinho de golf duas vezes uma na grama e outra no próprio trailer destruindo a lateral, que ela e os amigos foram parados por um policial na auto estrada pelo limite de velocidade de 86 milhas por hora mais ou menos 145 km/h (não façam isso!), que ela e a amiga um dia abriram a janela da sala e dançaram antes de ir trabalhar fazendo um show para todo mundo que passava só porque estavam muito felizes, que após um dia de trabalho muito cansativo e estressante ela e mais duas amigas conseguiram rir bastante da situação e na volta para casa, como lua estava ''indecente'' de linda toda cheia e baixa, decidiram dar uma de malucas e invadir o campo de golf molhado pela chuva do dia anterior e ficar sentadas la conversando, vendo a lua e comendo as castanhas que sua mãe encontrou num quarto em que o hospede havia esquecido, que tinham vezes quando estavam muito cansadas depois do jantar e ainda trabalhando ela e a tia Alice traduziam musicas em português para inglês e ainda ensinavam aos gringos como canta-las assim como expressões fichinhas que estavam na boca de todos como os neologismos: vacuuar = de vacuum, aspirar; impruvar = de improve, aperfeiçoar; catch the way = pegar o jeito; cow hand = mão de vaca; go in one foot and back on another = ir num pé e voltar no outro; be with the monkey = estar com a macaca, dress the T-shirt = vestir a camisa... hahahahhahaha Very good = muito bom. Saudades já...
Vou levar comigo para sempre o ''finish for me'' do Humberto com suas mãos sempre se mexendo ''não tendo erro não'', sua fome de 20 mendigos e sede de 10 camelos e sua paixão, assim como a minha, por marcas... Marcas não, marcas ''pro xilindró''! Grifes! As mãos mais bonitas que já vi da Marina com suas musicas argentinas decoradas e a historia de amor mais linda (e real) que já ouvi na vida a qual quase peco a ela para adaptar e escrever sobre. A Raissa e o seu aniversario que nunca vou esquecer ate porque e o mesmo que o meu, das conversas sobre qualquer assunto e o sotaque que me pegou mais do que o americano como ''nu'', ''trem'', ''jacu'', ''barango'' e o ''sô'' que adoro. Vou lembrar sempre do Leo morando aqui em casa durante um mês e meio mais ou menos que de manha era sempre eu ou ele que fazia café da manha para a galerinha do mal daqui de casa, das conversas filosóficas da bíblia ao suicídio, de Pink Floyd a natureza, de coisas da vida a besteiras. E da Lice... Minha roommate topa tudo preferida ''pra caralho tres vezes'', de risos escangalhados antes de dormir a choros por raiva, de fazer dieta a tomar leite com Hershey's com chantilly com calda de baunilha e ainda de quebra um sorvete de creme, de ver tumor no Discovery Home & Health a desenhos no Disney Channel, a dupla infalível da Fadinha e a Anti-heroína!
Nossa... Que saudades eu vou sentir de chegar para fazer o lobby as sete da manha e escutar ''well, well, well (pausa dramática de uns dez segundos) morning-morning-morning'' como primeira coisa vinda do Kevin, o ''chato'' mais legal do Benbow; o famoso ''ladies'' bem lento e sarcástico do meu chefe Hugo sempre que a gente era pega em flagrante fazendo algo supostamente errado para ele ou quando em nossos days-offs morríamos de medo dele bater em nossa porta com aquele jeito que só ele batia para nos convencer a trabalhar quando não queríamos, mas assim mesmo assim trabalhávamos devido ao seu poder de persuasão incrível e nossa mão-de-vaquice; das vezes que ia no deck, na floresta ou o banco fora de casa para escrever e ouvir musica; das vezes que ia tomar banho no market (3140) mesmo com zero graus la fora e detalhe: de chinelo; da vez que de uma hora para outra o RV Park ficou rosa devido as flores de cerejeira que floresceram sem folhas; das sociais nos trailers dos outros comendo e bebendo as coisas dos outros na maior cara de pau; do pântano que surgiu sozinho na frente de casa; do coaxar dos sapos a noite; de só ter duas colheres em casa ao ponto de quando tomávamos sorvete eu e a Alice começávamos enquanto o Leo esperava uma de nos acabar para pegar a colher; das flores que cresciam na grama sem graça e que ninguém as arrancava de la; das pedras de Blair; dos queijos e vinhos ao som de blues e jazz ''très chic''; da botina de trabalho da Alice que a fazia cair todos os dias; da festa de despedida da Marina na qual eu (um pouquinho feliz demais) enquanto cantava uma musica que agora não me lembro cai na grama de maduro mesmo, ria tanto que demorei para me levantar e as meninas que estavam comigo riam tanto também e tava tao escuro que ate me acharem eu já tava toda suja de terra no chão... Good times.
São nomes como Bonnie, Tessa, Rachel, Carl, Jenna, Asheena, John, Rob, Robert, Michael, Emily, Sugey, Kevin, Cindy, Hugo, Camille, Ivan, Tatiana, Meg, Marguerite, Raul, Sean, Lonnie, Bambi, Kenneth, Jamie, Casey, Vanessa, Delbert, Steve, Dave, Cathy, Melissa, Mike, o outro Mike, alem do brazillian team e a nossa argentina preferida que nunca vou esquecer, uns não fazem ideia o quanto gosto mesmo com outros não simpatizando tanto assim com a gente, mas tudo bem, we ''dress the T-shit'' for all of you guys. Obrigada.
Esse lugar não existe... Onde mais eu tenho um rio de verdade (e limpo) quase na porta de casa, onde a maconha e quase e legalizada como a coisa mais normal do mundo, onde toda hora que olho para as arvores de cerejeira vejo pétalas rosas caindo, onde só tem velhinhos fofos e felizes com seus amigos e companheiros de viagem de trailer, onde tenho um por-do-sol lindo todos os dias, onde há pedras ao invés de areia branca na praia, onde há o pacifico, onde as arvores são gigantes porque o céu se apaixonou por elas e agora chora para que de alguma forma elas o alcancem, onde tem terremotos assustadores, onde a nossa diversão de cidade grande se baseia num único shopping a uma hora e meia da onde estou, onde você pode pegar o carrinho de golf e dar umas voltas por ai para treinar a direção (to muito melhor, juro!), onde a única coisa dublada que temos são os filmes baixados no computador, onde há dias de ''bolinho-day'', onde pude aprender mais sobre yoga, Deus e a ''bible'' querendo ou não, onde posso cantar Katinguele, E o Tchan, Angelica e Molejo ao tomar banho com a amiga e ainda receber elogios das mocas que esperavam a gente a acabar o banho dizendo que as musicas eram muito legais (…), onde de fato houve mais dias felizes que tristes.
Farewell morar sob rodas, farewell meu lugar dos sonhos, meu fim de mundo preferido. Nunca vou me esquecer dos seus dias azuis, brancos, cinzas e rosas, das suas pessoas simpáticas e áurea zen. Creio que e adeus mesmo, sei que nunca mais vou voltar para cá de novo, não porque eu não quero, mas de alguma forma eu sei que e a ultima vez... E triste tirar um pedacinho do meu coração e deixar sob o solo fofo das Redwoods, mas sei que o espaço vazio foi preenchido por novas cores, uma peca de quebra-cabeça que encaixa direitinho com tudo que vivi aqui. No lugar da Lais agora há também uma tal de Layz, essa nova Lais com o coração todo remendado por você Garberville-Califórnia-fim-de-mundo.
E chegada a hora de dar stop nesse sol oeste que agora ilumina o meu rosto e dar play novamente o outro lado do hemisfério, eu sei que vai ser saudade o que vou sentir quando olhar novamente para as fotos daqui ou ler esse texto que fiz mesmo mais para lembrar pelo menos de ¼ que passei aqui, vou relembrar deste meu dia sem botas, sentada em cima da mesa olhando o dia acabar de casacão enquanto sem querer deixei cair uma lagrima que borrou o ultimo paragrafo por essas palavras de adeus ao adjetivar esse lugar que vai fazer falta... Farewell. And thanks.

quarta-feira, 3 de março de 2010

o que você faria?

Nunca tive medo de morrer. Para falar a verdade acho que sempre soube que e uma coisa inevitável, afinal tudo morre. Não que me imagine morrer e ficar por isso mesmo na boa, acho que o que me incomoda e a dor e aqueles últimos segundos de consciência de quando você sabe que vai morrer, quando você tem certeza de que vai morrer, sabe?
O fato de não saber o que tem depois, o que tem depois de você fechar os olhos também me intriga, mas não me martiriza. O mundo desde o principio tem tentado decifrar tal questão cada um a sua maneira com Deus, Ala, Buda, Maomé, a Deusa ou quem sabe ate Zeus. Não julgo nem critico nenhuma, pois afinal quem tem razão? Não vou entrar numa questão religiosa ate porque não era esse o ponto onde eu queria chegar...
De uns tempos para cá venho sonhado bastante com o tema ''morte'', dizem que e prenuncio de ''vida'', que bom, mas o interessante e que não foram pesadelos, pelo contrario, foram sonhos ate que bonitos a sua poesia esquisita de sangue e acidente. Não tinham nenhum tipo de agonia e dor, uns ate eram bem interessantes como na vez que me vi dentro de um carro numa estrada e de repente ao olhar para o lado vi o mesmo carro capotado comigo dentro morta... Me lembro que voltei a olhar para a frente e fazer uma cara de: ''Ta..''. Era como se a minha alma tivesse dando um passeio por todas as minhas outras vidas e continuando... Seguindo a estrada porque e assim que funciona, ne?
O outro sonho eu estava num lugar onde ninguém podia me enxergar e me sentir, tocava nas pessoas e elas não me viam, falava com elas, mas mesmo assim não acontecia nada. Este espaço, me lembro, que era preto e branco inclusive as pessoas e o tempo, menos eu que me via de fora colorida. Não me lembro o que aconteceu depois, mas quando voltei a prestar atenção de novo no sonho o espaço tinha se colorido e o cenário não era mais de uma cidade cinza e sim algo bem verde com pessoas que eu conhecia correndo de um lado para o outro sendo que a cena anterior não reconhecia ninguém. Era tudo muito bonito e calmo, um verdadeiro céu.
O ultimo sonho, ate agora pelo menos, foi hoje. Foi quando me vi sentada num chão escuro e por mais que tentasse não conseguia ver meu rosto de fora como espectadora, eu estava no sonho vendo a minha mão com tatuagem, meu cabelo sempre caído no olho direito, meu dedinho do pé pequenininho... Enquanto isso escutava uma voz me contando historias que nunca tinha ouvido falar, mas que me dizia que eu era a personagem principal de todas elas. Não sabia da onde a voz vinha, mas nem por isso me assustava com ela, era calma e me fazia olhar para baixo do lado direito.
Para falar a verdade nem sei porque me deu vontade de escrever um assunto tao tabu, porque sim, convenhamos, e um pouco assustador e a pergunta ''o que vem depois'' já causou muito conflito e matou muita gente. Acho que sou uma pessoa muito impressionada ou criativa ao ponto de bastar alguem comentar um assunto comigo que logo viajo e crio historias com tal tema. Tenho para mim que tal tema veio a tona porque ontem vi o filme ''Uma prova de amor'' que fala disso; do desejo e inconformação da morte, no qual por curiosidade, choro pra caramba. Porque de uns dias para cá venho tentado escrever uma historia minha parada no tempo, ''Minha vida sem Lori'' que adivinhem... Fala sobre morte também. Outro motivo pode ter sido por uma conversa de dois dias atras com o meu chefe sobre 2012 e o apocalipse, de como o mundo já ta mostrando rachaduras (literalmente) e que uma hora isso tudo ainda vai acabar... Ok , não que eu concorde com isso 100% nem discorde totalmente. Desde que o homem se tocou de que supostamente ele e o maioral da parada e tem destruído algo bem mais poderoso e forte que ele, a natureza parece estar querendo ''se vingar'', oras, se nos incomodamos com um pequeno mosquitinho insignificante que suga nosso sangue sem a nossa autorização já damos logo um tapão... Imaginem como deve ser para a natureza na metáfora de um corpo humano ser retirado sem do cada pelinho como uma arvore derrubada, sujeira e coisas podres por todo corpo adoecendo a terra como nos lixos e dejetos que jogamos a cada segundo nela, fumaça e gás carbônico para um pulmão com câncer, total desrespeito sem se importar com as consequências... Também ne... Talvez a natureza esteja prestes a dar um tapão na humanidade, basta parar de sugar tanto sangue dela, somente o necessário sem abusar para não acontecer essa gangrena que esta agora. Falar e muito fácil, o difícil e conscientizar todo mundo a isso, da vontade de chegar la mesmo e dar um tapão na cara dos fulanos e dizer: ''Ohh meu filho, se toca, acorda!''. ^^
Eu e esse meu problema de falar e falar e não chegar de jeito nenhum. ''O que você faria?'' devem estar pensando que raios ela quis dizer com isso? Mais uma vez fui metódica e prolixa para chegar numa cena que na verdade poderia ter começado este post: o branco. Uns dias atras sai para trabalhar sozinha mais ou menos as seis e cinquenta da manha, num frio de se cortar os olhos e numa solidão difícil de explicar após você se ver ali sozinho caminhando no silencio de poucas onomatopeias enquanto tudo em volta de você dorme. Isso podia me incomodar antes, mas já estou acostumada. Passei pelo portal com a sua única lamparina acesa como se estivesse em Narnia, só faltava um fauno pular na minha frente e oferecer seu cachecol vermelho para o meu frio de bater os dentes. Foi quando eu segui a luz no fim do túnel e posso dizer que era branca como algodão e brilhava como o sol, de fato tal sensação não foi divina, o melhor dela e que foi real. Quando olhei para o lado e vi o céu todo branco e claro pelo sol e só com as arvores negras se destacando na sua homogeneidade difícil de explicar , um pensamento apocalíptico surgiu na minha minha mente sem querer: ''Sera que o fim do mundo e bonito assim?''. Me lembro que cheguei a pensar que não me importaria se fosse assim... Lindo.
Não eram nuvens mescladas umas nas outras, o céu estava simplesmente branco, opaco e claro de se apertar os olhos e as únicas coisas que se destacavam na tela em branco eram pinheiros escuros perfeitos, longe e perto, sem nenhuma falha, como se alguem as tivesse pintado ali mesmo. Cheguei atrasada no trabalho só por ficar olhando durante um tempo. E se fosse naquela hora? Quero dizer... E se o fim do mundo fosse ali, naquela hora?
Alem do dia 31 de dezembro de 1999 a meia noite e 21 de dezembro de 2012 não conheço mais nenhuma data certa para isso acontecer, apesar de eu não acreditar que o mundo vai fazer simplesmente bum! tipo ''do pó vieste, ao pó voltaras'', literalmente se tomarmos como base o Big Bang. Mas... E se... O que você faria? Tipo a musica mesmo...
Ficar perto da família? Dos amigos? Da pessoa que ama? Ouvindo musica? Fazendo o que gosta? Ou quem sabe se matando antes? Sabe... Isso pode ser um pensamento meio egoísta se você parar para pensar... Vai que a pessoa que você queria passar seus últimos minutos já tenha outros planos ou quem sabe se você se matar antes como ficam as pessoas que precisavam segurar a sua mão na hora? Que pensamento louco. Mas pensa só, ate que faz sentido. Cruel, mas verossímil.
Acho que eu não sei o que eu faria... Acho que primeiro ficaria frustrada de não ter tido tempo de conquistar e fazer coisas durante essa minha passagem por aqui. Por isso para que isso não aconteça visto a camisa Carpe Diem, só me arrependo das coisas que não faco, porque cada passo que você da não e por acaso, não existem coincidências somente o inevitável. Você escreve certo todos os dias embora algumas vezes as linhas pareçam tortas, tem que se aproveitar cada gotinha de chuva na volta da faculdade, cada medo que você não sabe nem da onde veio, a visão do mesmo rio correndo, cada musica que se escuta, cada viagem feita, cada presença e cada falta que certas pessoas podem dar. E como colecionar coisas eternas, e não para sempre. O eterno vai estar sempre la para você dar uma mexida e sorrir e chorar de novo, o para sempre e chato... Ele simplesmente esta la e você sabe que sim, o eterno estará sempre la, mas pode acontecer de você nem mesmo saber disso. De alguma forma o ''para sempre'' e finito e o ''eterno'' não...
Então! Para tal frustração nunca acontecer do ''e se...'' torno tudo meu eterno, cada decepção, cada exito, cada alegria, cada tristeza para que alguem que eu não conheço o rosto me conte num quarto escuro quem foi Lais Carvalho dos Santos e dizer que aquela pessoinha la cheia de defeitos e acertos um dia fez parte daquilo que esta dentro dela agora, mas que nem rosto tem.
Depois que saber que não há frustração em minha passagem por aqui acho que iria agradecer a Deus, Ala, Buda, Maomé, a Deusa ou quem sabe ate Zeus por tudo e a oportunidade de ter sido quem eu fui por ter conhecido pessoas, lugares e experiencias que somaram a isso.
Após o ''obrigada'' colocaria minha musica preferida que ainda não sei qual para fazer o que eu adoro uma ultima vez que e criar um roteiro numa cena de deixar qualquer diretor de Cannes morrendo de inveja. Porque vocês sabem... Minha vida tem trilha sonora e minha morte não podia ser diferente, ne?
E por ultimo... Acho que veria... Como vi no céu branco algo bonito, porque acho que deva ser algo no minimo bonito de se ver, afinal a morte e só mais uma passagem como entrar pela primeira vez no colégio, dar o primeiro beijo, passar no vestibular, ter um filho, perder alguem que ama... E todo mundo passa por isso e por saber disso acho tao normal e trato com tanta importância tanto que na maioria das minhas historias ela esta presente. Não e ruim, e só mais uma barreira a se ultrapassar, ninguém nunca me contou como e que e que funciona, mas também sei que ninguém voltou para reclamar.
E um sorriso... Fecharia a cena com um sorriso.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

into the wild.

Sonhos estranhos me fizeram acordar antes mesmo do despertador as seis horas da manha. Sonhos daquele tipo que de tao reais o fazem acordar cansado se perguntando o que esta se passando em sua mente enquanto o sono não deixa você se explicar em palavras. Na verdade nem teria precisado acordar tao cedo, porque hoje eu estou de folga e teria supostamente o dia todo para dormir nesse frio bom. Mas não quis... Hoje botei na cabeça que iria fazer um exercício de manha para sair desse meu sedentarismo cronico que só se baseia em acordar-trabalhar-comer-trabalhar-comer-dormir-acordar. Então... Cá estou eu aqui! Já explico...
Ok: peguei o meu caderno de praxe, uma caneta, o meu Ipod, coloquei o tênis para correr que comprei aqui, vesti o capuz do meu casaco Ralph Lauren porque ainda estava chuviscando um pouquinho e bati a porta do trailer atras de mim encarando um deserto frio e branco pelo fog, minha reação de imediato foi sorrir de lado, pois agora quem me acompanhava era It Means Nothing do Stereophonics embora a letra não tinha nada a ver com o momento em si...
Aonde eu iria? Comecei a andar rápido olhando para os lados pensando onde poderia chegar, eu poderia ir para a Redway a nordeste, ao parque a noroeste, ao final do RV a sudeste e... A floresta a sudoeste! Show! E la fui eu toda feliz correndo com fones no ouvido e capuz enquanto rasgava em vigas o fog que baixava sob a garoa rasa. O tempo, podiam dizer, que não estava dos melhores, mas eu diria que foi perfeito! Estava me sentindo tao livre ali sozinha, as batidas da musica combinavam tanto com os meus passos e a vista era tao bonita que não podiam ser desperdiçadas por uma cama quentinha que substitui. Só fui correndo... E inconscientemente sorrindo me achando uma sortuda e agradecendo a Deus por cada pedrinha que eu passava ao largo.
Enquanto corria pelo caminho entre as arvores me espantava o quanto elas eram bonitas, bonitas e tristes como o inverno que as engolia, umas secas e outras com poucas folhas, caídas e úmidas como o tempo, em silencio só escutando a garota e o rio que corriam ao seu lado. Um ''cemitério de arvores'' pensei logo de cara quando as vi ali sozinhas, não podendo sair de seus espaços apenas se limitando a ver as coisas passarem por elas sem dar muita atenção. Foi ai que eu parei de correr. Meu peito ardia pelo ar rarefeito e frio que havia entrado nele e eu nem percebido, olhei ao meu redor e só vi nevoa branca... ''To no meio de uma nuvem'' eu pensei enquanto bufava agora em ritmo mais lento e batendo os dentes pelo frio. Caminhei saindo um pouco da trilha apenas para chegar mais perto de uma arvore que devia estar mil anos la... Quando um devaneio me veio me fazendo criar uma teoria que ficara guardada entre a minha mao e seu caule frio. Talvez... Talvez tenhamos essa ''coisa'' com a natureza porque... Ela esta sempre la. Nos humanos que mudamos com o tempo, mas a natureza e sempre A natureza. Talvez tenhamos nos encontrado em outras vidas e seja por isso que nossa alma fica tao feliz no meio disso tudo! Velhos conhecidos.
Continuei o passeio agora caminhando sobre as folhas secas notando que agora não mais garoava, olhei para cima e vi um arco de galhos e folhas que me acolhiam num túnel não permitindo a agua passar apesar de suas limitações devido a estação. Não consegui evitar um ''obrigada'' em voz alta para aquilo que me protegia, e antes mesmo do ''genezinho'' ruim humano que não nos deixar soltar quando uma coisa dessas acontece, tipo a maça proibida do Éden sabem? Então, cantei. Cantei mesmo e em voz alta a musica Quelqu'un m'a dit parecendo uma Chapeuzinho Cinza no meio da floresta sozinha. Hahahahhahahahaha
Depois de caminhar mais um pouco apreciando a paisagem de campos verdes muitos parecidos com os de Minas Gerais a trilha acaba. ''Ok''... Eu pensei, ''ou eu volto ou eu vou me adentrar nesse mato aqui ate chegar ao rio''. Hum... Tempo... ''Porta numero dois!'' Eu la sou garota de deixar passar beleza e liberdade como essa? Eu to aqui sozinha, esse tempo e meu e eu vou aproveitar! Nada de mal pode me acontecer aqui, ao mesmo tempo que e perigoso ninguém saber que eu estou aqui, e seguro por eu estar aqui ''sozinha'' comigo, com isso tudo, na natureza selvagem. Afinal que maniaco acorda as seis da manha para pegar uma garotinha inocente aqui como eu no meio da floresta?? (…) Nê?
A paisagem do rio correndo em seu silencio uníssono com suas arvores estáticas e serenas e perturbada pela visão de uma garota correndo em suas pedras rindo de sei la o que. Ela percorre suas margens acompanhando a correnteza verde-agua parando em seguida na borda apenas porque estava com um tênis novo de meras duas semanas. Tinha vontade de continuar indo com o rio, indo naquela calmaria abrupta devido a chuva na noite passada, indo ate la na curva que não sabia o que e que vinha. A garota se sentou e esta agora aqui com uma caneta na mão e um caderno sobre os joelhos olhando o horizonte com bordas de pinheiros e teto branco. Sim... Vos falo no meio do nada e do tudo.
Não se preocupem... Se lerem este texto no blog e a prova concreta que estou viva ate porque alguem teria que transcreve-las, não e? O máximo que pode acontecer aqui comigo e aparecer um urso ou um lobo, mas... Amm... Depois de me ver aqui sozinha e toda a mata que me cerca com quase três graus de miopia coisa que dificultaria muito ver algo se movimentando no verde prefiro não pensar nisso agora. Depois eu vejo o que eu faco. Ou... A ''Blair''. Hahahahahahhahaha ''Blair'' e um toco de arvore que tem a uns passos daqui que sobre sua madeira tem uma pilha de pedras de todas as cores e tamanhos empilhadas estrategicamente assim como no filme... Ai... Vocês acreditam que isso me assusta mais do que o urso? Ok... Não pense nisso, não pense nisso. Que idiotice. Isso não existe... (…) Nê?
O som do silencio e escutar a sua própria respiração, e escutar o barulho do rio do lado esquerdo e cachoeirinha a direita, e escutar o barulho das arvores batendo umas nas outras, e escutar as batidas do seu coração, e de alguma forma pela primeira vez verdadeiramente se sentir não mais Na natureza, mas A natureza. Engraçado que a gente se esquece que somos natureza também, fazemos questão de colocar a barreira e dividir duas vidas que como essas Redwoods aqui de oitocentos anos que compartilharam vidas e vidas.
Droga... A chuva apertou e uma de suas gotas acabou de manchar o ''ok'' ali na linha de cima. Gente... Ta chovendo bastante agora. Agora literalmente a natureza vai me engolir. Provavelmente nunca mais virei aqui sozinha e terei essa experiencia de novo, provavelmente ninguém que eu conheça vá fazer tal passeio também por aqui e eu acho que e isso que torna o momento tao único e especial mesmo debaixo de chuva e frio... O simples fato de eu ter que fotografar com os olhos tudo isso que no momento e meu. Só meu, meu e desse algo que as colocou no meu caminho, obrigada. To em casa.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

o novo cenário.

E a cena se repete mais uma vez... A visão de uma garota meio sentada meio deitada escrevendo num caderno com uma caneta coisas que passam em sua cabeça enquanto escuta musica em seu MP3 na sua casa... A cena a primeira vista pode ser igual a muitas outras que este blog testemunhou, mas apesar de tudo ser igual, tudo esta diferente.
A garota e a mesma, mas não e; seu cabelo e o mesmo, mas não e; sua perna cruzada e a mesma, mas não e; ate mesmo a sua tatuagem na mão que escreve estas palavras e a mesma, mas acreditem ou não... Não e.
O caderno que escrevo foi comprado na véspera da viagem, afinal como iria viajar e morar fora durante um tempo e não ter onde escrever tudo o que se passa na minha cabeça? Não e mais um caderno qualquer... E o caderno desta temporada dormindo fora de casa, e o caderno que começou como uma tentativa falha de se criar um diário e acabou se tornando o intermediário entre mim e o blog coitado que não atualizo há tempos.
A caneta que uso não e mais as um milhão de Bic's que tem la em casa que vão falhando progressivamente a medida que a escrita vai se aprofundando, a tinta preta que agora serpenteia em horizontal este caderno vem de uma caneta promocional de uma loja da cidadezinha em que vivo onde tudo tem o tema de maconha. Sim... Caros e queridos leitores lhes apresento a Hemp Conection, a primeira loja nos Estados Unidos a... Como posso dizer... ''Disseminar'' a cultura marijuana por assim dizer de cuecas com maconhinhas desenhadas a livrinhos de como cuidar do seu jardim, se e que vocês me entendem.
Os Beatles de praxe foram substituídos temporariamente por Acoustic Vibration Appreciation Society, uma banda progressiva-folk-country-rock-experimental encontrada num site por um cara canadense daqui que carinhosamente apelidamos de ''maluco'': o tal que me deu biscoitinhos ''feitos em casa'' no terceiro dia meu aqui. O.o''
Ok... O MP3 não e mais o meu celular Nokia (amado) de singelos 1Gb de memoria, mas sim o meu (novo) Ipod (amado 2x) de 160Gb dos quais não enchi nem 1/10 sendo que coloquei todas, sim, TODAS as minhas musicas mais uns 4Gb de uma amiga argentina daqui... E de novo: O.o''!
A casa que escrevo não tem o meu quadro de fotos 2 por 1 assim que olho para a direita quando estou deitada na cama, não tem o cheiro do incenso de sândalo que queima embaixo do buraco de ar condicionado sem ar condicionado, não tem aquela luz característica das duas lampadas uma quente e a outra fria no meu ventilador branco, não tem o barulho da TV ligada na Oprah que a minha mãe adora ver.
Minha casa, meu quarto, minhas coisas. Minhas coisas aqui se resumem a um armário abarrotado de roupas e casacos, o lado direito de uma cama Queen e a segunda prateleira da geladeira. Meu quarto se resume a um quadrado onde dou sete passos e já estou em outro comodo. Minha casa... Se resume num trailer. The most beautiful trailer of all RV Park actually. =P
A mesma cena... Cenário diferente... Mesmo mordiscar a ponta da caneta, mesmo sorriso ao olhar pela janela e ver algo sincronizar com a musica que ouço, mesma tatuagem na mão que escreve só que agora um pouco machucada devido ao trabalho.
Nos atualizamos todos os dias, a cada topada no dedinho mindinho, a cada 6.7 em Estatística, a cada frustração e exito, a cada viagem feita e como se renovar, se tornar uma versão 2.0 de você mesmo, uma versão atualizada com um anti-vírus com melhor faro para as tretas da vida, com um histórico maior do que veio, com novas cores e layout, pois ainda fazer algo no cabelo... Hum, quem sabe?
São novas fotos para o álbum de família, e um novo capitulo para a sua enciclopédia, e ate uma versão internacional e chique bilíngue! Hahahhahahaha Mudar e bom, não, mudar não, mas sim renovar, renovar as energias, renovar o ar que você respira, renovar as suas roupas (^^), renovar seus machucados, renovar a si mesmo se atualizando com cada topada de dedinho mindinho...
E como crescer a cada dia que passa, pois tudo e aprendizado, tudo e novo como já dizia os livros de filosofia que ''ser um filosofo e ter a capacidade de se surpreender com as coisas'', nunca vou me esquecer desta máxima, ser filosofo de você mesmo e aprender com cada gotinha de chuva na volta do banho, com a velocidade do rio, com o quanto você aguenta trabalhando em coisas que nunca fez na vida, com o quanto você se mostrou forte em momentos que antes achava não ser, o quanto amadureceu, o quanto aprendeu.
Porque a vida e isso mesmo: como ''uma caixinha de bombons'' segundo Forrest Gump, como ver através do vidro de um avião, as ''escolhas'' segundo a minha mãe, como sorrir diante um novo obstaculo, uma parede branca na qual você pode ir esculpindo de todas as cores e objetos que quiser ate conseguir passar por cima e saltar para o próximo dos muitos outros que virão.